Bispos discutem futuro da Igreja latino-americana

Bento XVI já regressou do Brasil, concluindo uma visita apostólica de cinco dias, mas o futuro da Igreja na América Latina continua em discussão na V Conferência Geral dos Bispos desta região.

Representantes de 22 conferências episcopais procuram, com a ajuda de convidados, especialistas e observadores, responder às interrogações que se colocam sobre o futuro da Igreja num espaço geográfico que engloba quase metade dos católicos de todo o mundo.

Como tinham feito Paulo VI em Medellin (1968) e João Paulo II em Puebla (1979) e Santo Domingo (1992), Bento XVI inaugurou este Domingo os trabalhos da Conferência, encontro que se realiza apenas pela quinta vez em mais de meio século (neste mesmo período houve seis Papas, por exemplo), deixando perspectivas para a próxima década.

Na linha do que foram as suas intervenções na viagem ao Brasil, o Papa convidou os representantes das conferências episcopais da região a não confudirem o Cristianismo com qualquer ideologia política ou partidária. “Se a Igreja começasse a transformar-se directamente em sujeito político, não faria mais pelos pobres e pela justiça, mas, pelo contrário, faria menos, porque perderia a sua independência e a sua autoridade moral, identificando-se com uma única via política e com posições parciais questionáveis”, alertou.

Perante problemas sociais graves e o avanço das seitas, o Papa considera que Deus e a evangelização são as respostas para os desafios da América Latina e os Bispos foram desafiados a centrarem a sua acção na figura de Jesus, para fazer face a um “certo enfraquecimento” da vida cristã. Esse fenómeno acontece, segundo o Papa, “devido ao secularismo, ao hedonismo, ao indiferentismo e ao proselitismo de numerosas seitas, de religiões animistas e de novas expressões pseudo-religiosas”.

A Conferência de Aparecida não trata de questões dogmáticas nem é uma espécie de Concílio continental, mas procura ter um carácter missionário e pastoral. A reunião magna do episcopado latino-americano prolonga-se até 31 de Maio, subordinada ao tema “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que n’Ele os nossos povos tenham vida”.

“Esta V Conferência Geral celebra-se em continuidade com as outras quatro que a precederam no Rio de Janeiro, Medellín, Puebla e Santo Domingo. Com o mesmo espírito que as animou, os Pastores querem dar agora um novo impulso à evangelização, a fim de que estes povos continuem crescendo e amadurecendo em sua fé, para ser luz do mundo e testemunhas de Jesus Cristo com a própria vida”, referiu, no dia 13 de Maio, o Papa.

Nesta Conferência, pela primeira vez, os representantes dos Bispos dos EUA, do Canadá, de Espanha e de Portugal são membros efectivos, com direito a voto. D. Jorge Ortiga, que estará presente como presidente da CEP, assinalou à Agência Ecclesia que os trabalhos irão contar com a participação dos bispos de uma “maneira co-responsável”. Não esquecendo que a América Latina “nasceu a partir de Portugal e Espanha”, o Arcebispo de Braga considera que este encontro será por certo “uma experiência muito rica”.

Agência Ecclesia