Revisitar o Magistério Os textos que evocamos e os breves comentários que fazemos não têm a mínima intenção de dar conselhos ao Bispo e aos Presbíteros, muito menos forçar qualquer espécie de actuação ou fornecer critérios de apreciação que se tornem factores de ingratidão ou intolerância. Pretendem, apenas, propor um esforço de purificação da mente e do coração, que nos ajude a viver melhor a comunhão sacramental do presbitério, para mais intenso serviço e edificação da Igreja que servimos.
Na sequência de alguns parágrafos do Vaticano II, outros, que os desdobram em actuações práticas da cumplicidade Bispo-Presbíteros, revestem-se de singular importância e consolidam-lhes o vigor e desdobram-lhes as incidências práticas. Da exortação apostólica de João Paulo II Pastores Gregis, que cita um discurso do mesmo Papa a Bispos recentemente eleitos (de Setembro de 2002), caiu-me sob os olhos um parágrafo que não resisto a transcrever.
“Entre os primeiros deveres de cada Bispo diocesano, está o cuidado especial do seu presbitério: «O gesto da sacerdote, que põe as suas próprias mãos nas mãos do Bispo, no dia da ordenação presbiteral, prometendo-lhe ‘reverência e obediência’, à primeira vista pode parecer um gesto unilateral. Na realidade, este gesto compromete a ambos: o sacerdote e o Bispo. O jovem presbítero escolhe confiar-se ao Bispo e este, por sua vez, compromete-se a salvaguardar aquelas mãos».”
Não me parece poesia, nem pieguice, esta interpretação de um discreto gesto da liturgia de ordenação. Na realidade, o gesto e as palavras não são mais do que uma explicitação da atitude interior que se toma de autêntica geminação de vidas – do Presbítero e do Bispo – e, por via deste, do Presbítero com todo o Presbitério, no encargo comum de se estimularem na autenticidade do ministério, para crescimento na santidade, vertida em serviço harmonioso e de superior qualidade à Igreja.
Sinto este percurso de proximidade, de intimidade, como um desafio aliciante. Simultaneamente, como um caminho seguro de felicidade e fidelidade sacerdotal. E ainda como um testemunho indispensável, que não se traduzirá em uniformidades, mas resultará numa feliz contemplação da riqueza e variedade de dons, os quais, mesmo aos servidores ordenados, o Espírito distribui com imensa prodigalidade.
Haverá sempre um caminho a percorrer, nesta senda da cumplicidade. Haverá ocasiões que reclamam maior atenção e esforço para nele avançar!
Querubim Silva
