Na crise e para dela sair, há que respeitar a dignidade humana, promover o bem comum, respeitar a subsidiariedade e viver em solidariedade. Tudo em corresponsabilidade, dizem os bispos portugueses.
“A sociedade portuguesa vive uma conjuntura difícil, que afecta a generalidade dos seus membros e particularmente aqueles muitos que se viram privados de trabalho e de condições económicas suficientes para o bem-estar próprio e dos seus”, afirmam os bispos portugueses na nota pastoral intitulada “Crise Discernimento e Compromisso”, emitida ontem à tarde, na conclusão da reunião do Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, em Fátima.
Os bispos consideram que a crise é “fruto de causas internas e externas”, mas “pode e deve ser ocasião de discernimento crítico sobre o que nos trouxe aqui e de compromissos concretos sobre o modo de colectivamente nos melhorarmos”. Referem como uma das causas “o excessivo endividamento público e particular”, que teve como consequência a diminuição do financiamento às empresas e logo, o desemprego; notam que a “ajuda internacional entretanto pedida condiciona a decisão interna e impõe restrições e prazos de árduo cumprimento”; e alertam que “nada se conseguirá de consistente e duradouro sem a consciencialização do que está realmente em causa e do que necessariamente terá de evoluir ou mesmo mudar na sociedade em geral e nas opções concretas de cada um”.
Os bispos afirmam que a saída da crise não acontecerá sem a uma ligação “à consciência e à responsabilidade dos cidadãos que somos, com os valores que reconhecermos e os comportamentos em que os concretizarmos”. Neste sentido, apontam quatro princípios a observar: a dignidade – e dignificação prática – de cada pessoa humana é o princípio e também o fim duma sociedade propriamente dita; o respeito pelo bem comum, ou seja, “o conjunto de condições e meios de toda a ordem – materiais, sociais, culturais, espirituais… – que permitam a realização plena de cada um dos membros da sociedade que justa e organicamente constituímos”; o princípio da subsidiariedade, isto é, ter em conta a “realidade social que constituímos, enquanto seres essencialmente interdependentes”; e a solidariedade, que se “concretiza numa atitude permanente e geral de partilha: o que alguns detêm em vez dos outros é o que precisamente têm para os outros, pois toda a propriedade tem dimensão social”.
“Fomos atingidos por uma grave crise que, sendo económica e social, não deixa de ser cultural e de convicções. Por isso mesmo, além da indispensável acção dos vários corpos sociais e políticos, requer aprofundamento e até mudança no que a cada um mova como expectativa ou ideal, para a vida própria e alheia”, afirmam os bispos, apelando à corresponsabilidade e concluindo a mensagem com votos de “Boas Festas”.
J.P.F.
