Questões Sociais Estará bloqueada a criação de empregos suficientes para a solução do nosso gravíssimo problema de desemprego? – Não existem respostas satisfatórias; segundo a informação disponível, os «países emergentes», e até alguns países «mais retardados», vêm conseguindo taxas de crescimento e de criação de emprego superiores às dos países «mais desenvolvidos»; no caso português, parece que o ajustamento à crise se vem processando, fundamentalmente, através do desemprego e da baixa produtividade. Face a este panorama, entende-se que Portugal e os outros países «mais desenvolvidos» têm de basear a sua competitividade na inovação permanente e no consequente aumento de produtividade, em articulação com a qualificação permanente das organizações e dos recursos humanos. Tal inovação implica, nomeadamente, o aparecimento de novos produtos, novos processos produtivos, melhorias organizativas e a cultura permanente da qualidade.
Contrariamente, porém, a uma abordagem simplista, vericam-se dois fortes bloqueios à inovação, na sua capacidade de contribuir para a criação de emprego: os «países menos desenvolvidos» revelam uma forte competitividade na própria inovação, reduzindo a margem de manobra dos «países mais desenvolvidos»; por outro lado, o progresso em inovação traduz-se no aumento da produtividade e, por isso, não favorece criação de emprego ao ritmo desejável. Resulta de tudo isto que temos de ser extremamente prudentes nas nossas expectativas de diminuição da taxa de desemprego; mais prudentes ainda se ponderarmos que, aos bloqueios da inovação, devemos acrescentar vários outros, tais como a necessidade de reestruturações promotoras de aumentos de produtividade e de salários.
Face a estes constrangimentos, é indispensável a adopção de políticas promotoras da inovação possível e recomendável. Sem prejuízo da mais científica e sofisticada, impõe-se: (a) – reconhecer e estimular toda a inovação e qualificação, mais ou menos informais, que acontecem diariamente em inúmeras empresas, ou que provêm de «inventores»; (b) – fazer a prospecção de nichos de mercado internacional adaptados às nossas produções; (c) – contribuir para que estas se adequem, cada vez mais, ao diferentes mercados; (d) – incentivar o «mercado de investigação e desenvolvimento» (ID)… A vitalidade deste «mercado» implica, em especial: a difusão ampla dos resultados da investigação; o conhecimento das necessidades de ID, verificadas na economia e em toda a sociedade; e o esforço permanente de encontro entre a oferta e a procura de investigação e de invenção…
