Em plena semana dos seminários (11 a 18 de novembro), quando a mensagem para esta semana apela ao testemunho de fé (ver CV de 07-11-2012) lembramos os cinco padres que em 2012 completam 25 anos de ordenação.
Os padres Luís Barbosa, Filipe Coelho, Rogério Oliveira e Paulo Gandarinho foram ordenados no dia 10 de maio de 1987, na Sé de Aveiro, por D. Manuel de Almeida Trindade. Do mesmo grupo, o padre Manuel Melo foi ordenado no dia 22 de novembro desse ano. O “Correio do Vouga” lançou a estes padres algumas perguntas sobre as recordações do dia grande de há 25 anos e sobre o ser padre nos dias de hoje. Aqui fica uma síntese a partir de três depoimentos recebidos.
Há 25 anos
Os dias da ordenação e da Missa Nova são sentidos pelos padres como dias de alegria e de compromisso. P.e Rogério afirma que da ordenação guarda “o peso da responsabilidade consagrada e prometida de servir e amar a Igreja, seja qual for a porção do povo de Deus onde seja pastor”. O P.e Melo realça a alegria de sentir a presença da comunidade cristã de S. Pedro de Avelãs de Cima e do seu pároco de então, P.e Agostinho Teixeira. O P.e Gandarinho conta o “milagre” do dia da missa nova: “Conversando com os meus pais e com o falecido P.e Rubens, na altura pároco da Gafanha da Nazaré, optámos por criar um espaço de convívio em torno da Missa Nova. O salão paroquial, por debaixo da Igreja Matriz, no final da Eucaristia, foi aberto a toda a comunidade para almoço-convívio; foi a concretização da “multiplicação dos pães”, pois foram centenas de pessoas que foram passando nessa tarde e início de noite e não faltou nem a comida nem a bebida… Muitos idosos ainda se lembram desse dia”.
Do dia da Missa Nova, quando uma “multidão de gente invadiu o pequeno lugar da Redonda”, notando-se a “alegria de toda aquela gente”, o P.e Rogério retira um aspeto que o marca como padre: “Ser alegre na missão”. Reportando-se aos primeiros tempos de padre, Paulo Gandarinho recorda dois momentos que o marcaram para sempre: “A participação nos exercícios espirituais promovidos pelo Movimento para um Mundo Melhor, passados três meses da ordenação sacerdotal e a convite do P.e Georgino Rocha, e a participação num Cursilho de Cristandade, quando ainda não tinha dois anos de sacerdócio, a convite do casal Moreira Seabra, de Sangalhos”.
Ser padre hoje
E como veem estes padres a identidade sacerdotal nos dias que correm? Como diz o P.e Rogério, a identidade do padre “é título para se escreverem vários livros”, mas há um ponto fundamental, uma certeza: “A missão continua a mesma, Cristo!” “A identidade ungida e consagrada de um padre é Cristo! E a missão assumida e enviada é servir”, concretiza. A identidade e a missão têm, no entanto, pedras no caminho, como sempre. “Às vezes, distraído, sou tudo menos de Cristo. Envolvidos em tantas situações humanas, sociais e políticas, esqueço-me que a minha missão é Deus e não o «fulano de tal», o senhor empresário, médico, engenheiro, advogado, o partido A ou o grupo económico que me ajudou a construir a obra”, afirma Rogério Oliveira. Lamenta, por outro lado, que na Igreja, da qual faz parte e que é “constituída, toda ela, de homens e mulheres pecadores”, muitas vezes se dê mais valor “ao peso da tradição do que a uma resposta atual iluminada na centralidade de Cristo”.
O P.e Manuel Melo aponta três notas distintivas do ser padre: a Eucaristia, a gratidão e a esperança. Afirma: “O padre é o homem da Eucaristia. Toda a vida do padre tem o ponto alto e central neste sacramento, nele se alimenta e fortalece e dele parte para a vida. O padre é o homem que vive e testemunha a alegria, a esperança e a gratidão de ser escolhido, de ser chamado e enviado, de merecer a confiança do Mestre, se ser portador da mensagem divina, de ser o rosto visível do invisível. O padre, sendo o homem da Eucaristia, é o homem da gratidão e da esperança”.
Já o P.e Gandarinho, reconhecendo que o “padre é um discípulo no meio de tantos e tantos discípulos de Cristo”, aponta uma “missão e função diferentes”, que passa por “estar mais disponível para escutar, para ouvir as pessoas e encontrar caminhos novos para a construção de o Reino de Deus aqui e agora” ou onde a Igreja mais precisa que ele esteja. E termina com uma quase-oração que é também um programa de vida:
“Se o padre é «fixe» porque…
…pertence a um presbitério e procura estar em presbitério, mais do que na sua “paroquiazinha”,
…procura caminhar e crescer como Povo de Deus,
…procura na oração e na Eucaristia o encontro com Cristo vivo e ressuscitado,
…procura caminhar na graça de Deus e ajudar as pessoas a encontrarem-se com o Pai misericordioso e compassivo,
…procura escutar e estar atento às pessoas e às suas circunstâncias,
…procura estar ao serviço da comunidade cristã…
…então eu quero ser um padre «fixe»”.
J.P.F.
Luís Barbosa
Nasceu no dia 15 de agosto de 1960 em S. Salvador de Ílhavo. Foi ordenado no dia 10 de maio de 1987. Desde 2003 é pároco de S. Bernardo, depois de ter passado por Águeda e Castanheira do Vouga (1987-89) e ter sido membro da equipa formadora do Seminário de Aveiro (1989-2003). Desde 1989 é assistente espiritual da JOC e LOC (Juventude e Liga Operária Católica) e desde 2005 é vigário paroquial de Requeixo. É diretor espiritual no Seminário de Aveiro.
Filipe Coelho
Nasceu no dia 16 de março de 1958 na Borralha, Águeda. Foi ordenado padre no dia 10 de maio de 1987. Desde 1995 é pároco do Bunheiro (Murtosa) e desde 2000 lidera a paróquia de Pardilhó (Estarreja). Foi vigário paroquial de Aradas (1987), vigário da Glória (1988-95) e pároco de S. Jacinto (1988-2000). Foi capelão dos hospitais de Aveiro (1992-95) e Murtosa (1995).
Rogério Oliveira
Nasceu no dia 17 de novembro de 1961, em Castanheira do Vouga (Águeda). Foi ordenado no dia 10 de maio de 1987. É pároco de Cacia. Como padre, trabalhou na paróquia de Esgueira e no Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, depois na paróquia de Ílhavo e a seguir na Diocese do Algarve, colaborando na pastoral juvenil e nas paróquias de Almancil, Ameixial, Quarteira e Vilamoura. De regresso a Aveiro, antes de Cacia, trabalhou em S. João de Loure, Alquerubim, Frossos, Angeja e Albergaria-a-Velha.
Paulo Gandarinho
Nasceu no dia 13 de setembro de 1961, na Gafanha da Nazaré. Foi ordenado padre no dia 10 de maio de 1987. Desde 1993 é pároco de Aguada de Cima e Belazaima do Chão, acumulando com Agadão desde 2004. É também colaborador do Movimento dos Cursilhos de Cristandade. Foi professor de Educação Moral e Religiosa Católica em Bustos, trabalhou nas paróquias de Águeda e Castanheira do Vouga (1989) e foi capelão do Exército nos Quartéis de Aveiro (BIA) e Águeda (ISM).
Manuel Melo
Nasceu no dia 17 de maio de 1961, em Avelãs de Cima (Anadia). Foi ordenado padre no dia 22 de novembro de 1987. Colaborou nas paróquias de Murtosa, Monte e Bunheiro (1986-87), Beduído (1988), Ílhavo (1989-92), Aguim e Vila Nova de Monsarros (1992-96), Vilarinho do Bairro e Ancas (1996-2006), Sever do Vouga, Dornelas, Rocas do Vouga e Silva Escura (2006), Troviscal (2007-2012) e Amoreira da Gândara (2008-2012). Foi professor de Educação Moral de Religiosa Católica durante 20 anos. É pároco de Sangalhos.
Comemorações nas comunidades
Todas as paróquias servidas por estes padres comemoraram o dom do sacerdócio nos 25 de ordenação dos seus párocos. Além dos momentos mais importantes, em todas as comunidades, que são as celebrações da Eucaristia, em Cacia viveu-se uma “semana da família”, com o envolvimento dos grupos pastorais e movimentos. Em S. Bernardo, o sacerdócio ministerial esteve em foco em sessões abertas as todas as pessoas. Em Aguada de Cima, um mega-almoço, no dia do Corpo de Deus, culminou as celebrações em cada paróquia do P.e Gandarinho. Também as paróquias do Bunheiro e Pardilhó se juntaram para uma celebração campal, almoço e tarde de convívio, com o P.e Filipe Coelho, no dia 13 de maio.
O P.e Manuel Melo, que só comemora os 25 anos no dia 22 de novembro, vai celebrar a Eucaristia na igreja matriz onde foi batizado, em Avelãs de Cima, e no domingo seguinte, 25, promove um “copo de água” e convívio entre amigos e familiares.
Para todos, no entanto, como explica P.e Gandarinho, “a grande comemoração” aconteceu precisamente no dia 10 de maio: “Encontramo-nos na Casa Diocesana para rezarmos juntos, para convivermos e almoçarmos com o nosso bispo, D. António Francisco, ultimando a celebração jubilar na Igreja do Seminário de Aveiro, pelas 19h30. Seguiu-se o jantar-convívio no refeitório do Seminário, com a presença dos familiares, alguns amigos, os dois bispos e os sacerdotes, mais os diáconos e seminaristas que se quiseram associar”.
