Bodo aos pobres

Ponta de Lança Todos conhecemos o significado desta tradição ancestral, que tem a sua raiz em votum – promessa, em que os mais abastados, em dia de alguma solenidade ou festa religiosa, distribuíam alimento e roupas pelos mais pobres da comunidade, cumprindo promessas.

Quando voltarmos ao contacto com os nossos leitores, já o mundial de futebol terminou e poderão, por conseguinte, ver no motivo para este apontamento alguma premonição sobre o próximo campeão do mundo (Portugal, o mais pobre dos semifinalistas). Naturalmente, a atitude demonstrada pela equipa nacional de futebol vai dar os seus frutos e, aliado a esse querer (inédito entre nós), há talento de sobejo para garantir, em condições normais, que um dos oito objectivos do milénio, assinado por todos os membros da ONU, logo o primeiro, por sinal (erradicar a pobreza extrema e a fome), poderá a estar a concretizar-se entre nós. Porquê? Porque uma vitória em tão mobilizadora actividade, no caso o futebol, catapultará todos os portugueses para fora do marasmo, da eterna derrota de Alcácer Quibir; fará reerguer-se Aljubarrota!

Porém, com este “bodo aos pobres” dos tempos actuais, sublinhamos a intenção de Warren E. Buffett, presidente da Berkshire Hathaway Inc., e um dos homens mais ricos do mundo, que planeia doar a maior parte de sua fortuna de US$44 mil milhões de dólares para a Fundação Bill & Melinda Gates!

Um gesto de tão considerável grandeza (humanista e monetária!) não tem paralelo. Mas por que é que Buffett não cria a sua própria fundação? Não serão estes milhões valor suficiente para tal? Acreditamos que é filantropia pura! Por isso, para quê dividir!?

O gesto de quem dá, se o faz desinteressadamente, é um enriquecimento para todos. Assim, é digna de apreço a dádiva que gera comunhão entre os povos. Até para dar é preciso saber! No fundo, um “bodo aos pobres”!

Desportivamente… pelo desporto!