Bom tempo em 2006

Ponta de Lança Alegremo-nos! Já estamos a caminho do Natal!

Este é um dos contra-sensos da nossa vida: acabados de celebrar uma determinada data vemo-nos emaranhados no novo ciclo do tempo e da vida que nos conduz a algo que, não só mas também, levou Friedrich Nietzsche à formulação do conceito filosófico do eterno retorno.

Curiosamente esse conflito entre o espírito apolíneo e o espírito dionisíaco, independentemente do labor intelectual e conclusões de Nietzsche, pode provocar o caos na participação de cada um, desresponsabilizando-nos pelo estado das coisas.

Somos induzidos ao eterno retorno. Como?

Algumas ilustrações (umas a propósito e outras nem por isso): o mês de Dezembro é marcado pelo incentivo ao consumo, não é? Dia 24 à noite e dia 25, somos soterrados com a trágica notícia de que gastámos milhões num só dia. Trágico! O carrasco que conduz ao cadafalso passa a carpideira depois da execução!

Entre o Natal e o 31 de Dezembro há uma sedução pelos locais agradáveis e baratos para a passagem de ano. No dia 31 à noite: os melhores hotéis, o Algarve, as viagens para o Brasil,… tudo está esgotado – e vem a sentença – “afinal com a crise que existe, os portugueses continuam desgovernados no consumo”!

Outro. Durante o Verão é arrasadora qualquer esperança de vida (tragédia, incêndios,…). Chega a chuva, o tempo normal para a época de Inverno, com tanta necessidade que faz ao equilíbrio do sistema, e as previsões são adjectivadas com “mau tempo para amanhã!” Mau tempo?!

Acontece também que “mau tempo” ganhou estatuto de metáfora: anda mau tempo lá em casa!?… anda mau tempo no balneário de determinado clube?!… a jogar assim vem lá mau tempo! Etc.etc.

Então, deixem-nos chegar bem ao Natal. Tomando como referência o calendário gregoriano, como qualquer leigo (ignorante na matéria) o Natal é a 25 de Dezembro e ponto final. Epifania, Baptismo do Senhor são contas para outro calendário!

É que passados os dias de folia, o mundo (até onde chega o nosso calendário) acorda para a realidade. E a nossa realidade tem de ser de esperança! Afinal, não há mau tempo no horizonte, faltam apenas meia dúzia de meses para o Verão, para o sol, para o subsídio de férias, para os dias grandes ao ar livre,… Seis, apenas seis meses para nos afastarmos do dia 1 de Janeiro, o dia mundial da paz que, em circunstâncias normais, tanta tensão provoca nas pessoas (pelos combustíveis, pela electricidade, pelo telefone, pelo pão,… versus… valor do dinheiro e da capacidade para sobreviver sem ele).

Em suma, vem lá bom tempo!

Desportivamente… pelo desporto!