Breves do Vaticano

• Quinze longos minutos durou o aplauso popular no último adeus a João Paulo II, no final do funeral, no dia 8 de Abril. Karol Woytila está agora sepultado no interior da cripta da basílica de S. Pedro, perto da zona onde está sepultado o primeiro Papa.

• Cerca de dois milhões e 600 mil fiéis invadiram Roma para o funeral do Papa, entre os quais 200 dirigentes mundiais. A população de Roma duplicou, o que obrigou a reforços na segurança. No final, “nem um relato de um eventual roubo de carteira tinha sido comunicado à polícia”.

• O corpo de João Paulo II, durante os quatro dias de exposição, recebeu um milhão e 300 mil peregrinos (cerca de 20 mil por hora).As filas chegaram a atingir cinco km e algumas pessoas tiveram de esperar 24 horas.

• Perante os pedidos populares de “Santo já”, uma vez que o processo de beatificação só por decisão papal é que pode iniciar-se antes de cinco anos após a morte, Navarro-Valls, porta-voz do Vaticano, afirmou: “A competência dessa decisão é, apenas e exclusivamente, do novo pontífice”.

O próximo Papa

• O conclave para eleição do 265º papa terá início no dia 18 de Abril. Têm direito a votar 117 cardeais. Os restantes 66 cardeais não votam por terem mais de 80 anos. Dos 117 cardeais três foram ainda nomeados por Paulo VI, pelo que participam pela segunda vez na eleição de um papa.

• Dois dos cardeais eleitores são portugueses: D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, e D. José Saraiva Martins, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos.

• Os 130 cardeais (eleitores e não-eleitores) presentes em Roma aprovaram, no sábado, por unanimidade, a decisão de se manterem em “silêncio e oração” até ao início do conclave.

• Ao contrário do que por vezes se afirma, pode ser eleito papa qualquer bispo (e não apenas os bispos cardeais) e mesmo um padre que tenha condições para ser bispo (cinco anos de ordenação e mais de 35 de idade). Mas é altamente improvável que o próximo papa não esteja entre os cardeais eleitores.

• O conclave, na Capela Sistina, inicia-se no dia 18 de Abril. O papa deve ser eleito por uma maioria de dois terços. Se isso não acontecer até ao 30 de Abril, a eleição passa a exigir metade dos votos mais um.

• O boletim de voto tem escrito “Escolho para Sumo Pontífice” e cada cardeal escreve um nome. Se algum nome recolher o número de votos necessário, o cardeal decano (J. Ratzinger) pergunta: “Aceitas a eleição canónica para Sumo Pontífice?” Dado o consentimento, volta a perguntar: “Como queres ser chamado?” E termina o conclave. Na chaminé aparece o famoso fumo branco, os sinos começam a tocar, o cardeal decano anuncia ao mundo “Habemus Papam”, e o novo papa, com as vestes de Sumo Pontífice, aparece à janela para a saudação e bênção “urbi et orbi” (“à cidade de Roma e ao mundo”).

• O CV deixa aqui os nomes mais anunciados na imprensa quando se fala do próximo Papa. Na próxima semana (o conclave começa no dia 18), talvez o leitor já saiba se o velho adágio “quem entra Papa sai cardeal” se confirmou ou não. Karol Woytila não estava entre os “papabile” de 1978.

Dionigi Tettamanzi, 71 anos, arcebispo de Milão, a maior diocese da Europa (de onde veio Paulo VI). Ajudou João Paulo II em encíclicas relacionadas com a família e bioética. Próximo da Opus Dei.

Francis Arinze, 72 anos, nigeriano, prefeito da Congregação para o Culto Divino. Converteu-se do animismo ao catolicismo, quando tinha 9 anos. Especialista em as-suntos do Islão.

Cláudio Humes, 70 anos, arcebispo de São Paulo. Franciscano de origem, doutorado em Filosofia, defensor dos direitos humanos, valoriza o ecumenismo.

Óscar Maradiaga, 62 anos, arcebispo de Tegucigalpa (Honduras). Presidiu à organização dos bispos da América Latina. De personalidade forte, é dos mais referenciados. Sabe português.

Joseph Ratzinger, 78 anos, alemão, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Teólogo brilhante no concílio e pós-concílio (criador da revista Communio), foi arcebispo de Munique. Se for eleito, diz-se, será o “papa da continuidade”.

Angelo Scola, 63 anos, patriarca de Veneza (que deu, nos tempos recentes, João XXIII e João Paulo I). Doutorado em Filosofia e Teologia, pertence ao movimento Comunhão e Libertação.

José Policarpo, 69 anos, patriarca de Lisboa. Impulsionador (com outros bispos europeus) da “nova evangelização” em grandes cidades europeias, disse, numa entrevista recente, que a Igreja tem de dar mais atenção ao “homo urbanus”. Teólogo do pós-concílio, com a tese “Sinais dos Tempos”, e antigo reitor da Universidade Católica, é visto pela imprensa internacional (atenta a iniciativas como “Taizé em Lisboa” ou o encontro inter-religioso promovido pela Comunidade de Santo Egídio na capital portuguesa) como dialogan-te e ponte entre a Europa, a América Latina e a África. Pode constituir uma “solução de compromisso”. A caminho de Roma, D. José disse: “Espero voltar o mais rapidamente possível” [à diocese de Lisboa]. Perante a insistência dos jornalistas, acabou por afirmar que, se for eleito, escolhe o nome de “Clemente”.

Além destes nomes, aparecem ainda referidos Christoph Schoenborn (austríaco), Jorge Bergoglio (argentino), Ivan Dias (indiano), António Varela (espanhol), Darío C. Hoyos (colombiano), Norberto R. Carrera (mexicano), Grancisco Ossa (chileno), Godfried Danneels (belga), Walter Kasper (alemão) e os italianos Ennio Antonelli, Angelo Sodano, Tarcísio Bertone, Crescenzio Sepe, Giovanni Battista Re, Camillo Ruini e Carlo Maria Martini. Este último, jesuíta, anterior bispo de Milão, surgiu durante muitos anos como favorito para a cadeira de Pedro.