Académcia 1 – 1 Beira-Mar (2-4 após G.P.) Começam a faltar adjectivos para qualificar mais uma heróica prestação dos aveirenses nesta conturbada época. Depois de lançado o ultimato com o pré-aviso de rescisão colectiva, a equipa deu nova prova da sua galhardia. Inverteu, no campo da primo divisionária Académica (orientada por um treinador que esteve nas cogitações do Sporting) um resultado que lhe era desfavorável, jogando com 10 todo o prolongamento. Salvem este Beira-Mar!
A circunstância – Estádio Cidade de Coimbra; cerca de 800 espectadores; Árbitro: Paulo Baptista (Portalegre).
Derby das Taças – Um mês e meio depois das equipas terem empatado sem golos em partida a contar para a Taça da Liga, novo encontro em Coimbra, agora para a Taça de Portugal. Desde então a Académica ganhou (e quase o perdeu) novo treinador e os aveirenses viram agravar-se a sua crise directiva.
O jogo – A equipa de Coimbra adiantou-se no marcador logo aos 17’ numa boa jogada de Éder, que tirou Hugo do caminho, isolou-se e desfeiteou o guarda-redes aveirense. O Beira-Mar não era a equipa com mais posse de bola mas desfrutou de muitas ocasiões para marcar, logrando empatar a contenda por Fangueiro aos 62’. O jogo seguiu dividido até aos 90’ regulamentares. A expulsão de Jamal proporcionou um prolongamento de sentido único em que os aveirenses foram bafejados pela sorte e pela inspiração de Bruno Conceição.
Grandes Penalidades – Também aqui a equipa de Leonardo Jardim entrou a perder ao falhar na segunda série de penalties. Mas a inspiração de Bruno Conceição não se tinha esgotado e o guardião aveirense defendeu duas grandes penalidades. O Beira-Mar carimbava o acesso à próxima eliminatória.
Arbitragem – Regular no capítulo técnico, foi condescendente numa entrada dura de Diogo Gomes (haveria de ser substituído pouco depois) sobre um jogador aveirense. Seria o segundo amarelo. Aos 90’ não manteve o mesmo critério com o aveirense Jamal, ficando o Beira-Mar reduzido a dez unidades todo o prolongamento.
Leonardo Jardim (treinador do Beira-Mar): “A sorte foi merecida por aquilo que aconteceu durante os 90 minutos. Houve algum domínio da Académica em termos de posse bola, mas o Beira-Mar teve um maior número de oportunidades. No prolongamento houve sentido único pelo facto de termos jogado com dez. Tivemos de baixar as linhas e jogar em contra-ataque”.
André Vilas Boas (treinador Académica): “Faltou seguramente um pouco mais de carácter e agressividade. Não tenho dúvidas que o espírito de sacrifício, entrega e agressividade do Beira-Mar fizeram a diferença”.
Nuno Caniço
