Sínodo dos Bispos Na primeira semana de Sínodo, insiste-se na formação de “cristãos coerentes”. Perdeu-se a consciência de que “ser batizado equivale a ser evangelizador”.
O excesso de burocracia na Igreja e a falta de formação dos católicos estiveram no centro das preocupações em várias intervenções no Sínodo dos Bispos 2012, a decorrer no Vaticano, sobre o tema da nova evangelização.
O arcebispo italiano D. Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, observou que ao longo do tempo se tem “burocratizado a vida de fé e sacramental” e se perdeu a consciência de que “ser batizado equivale a ser evangelizador”. “Incapazes de ser propositivos do Evangelho, fracos na certeza da verdade que salva e cautelosos, porque oprimidos pelo controlo da linguagem, perdemos a credibilidade”, observou o colaborador de Bento XVI.
O cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, apresentou como prioridade a formação de “cristãos coerentes, capazes de responder a respeito da própria fé, através de palavras simples e sem medo”.
A 13.ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, um organismo consultivo convocado pelo Papa, tem como tema ‘A nova evangelização para a transmissão da fé cristã’.
O cardeal Stanislaw Rylko, presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, falou aos mais de 260 prelados reunidos no Vaticano do trabalho realizado por movimentos e novas comunidades católicas, um recurso que considera “ainda não plenamente valorizado”.
O membro da Cúria Romana diz que nestas realidades se promove “experiências muito sérias e exigentes de formação de leigos para uma fé adulta, capaz de responder adequadamente aos desafios da secularização”.
Já o presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), cardeal Peter Erdo, apresentou aos participantes no Sínodo um relatório sobre a situação do Velho Continente, alertando para o aumento da “ignorância a respeito da fé cristã”.
O arcebispo de Budapeste (Hungria) afirmou que “muitos media divulgam uma apresentação da fé cristã e da história que frequentemente abunda em calúnias, desinformado o público”. “A descristianização é acompanhada por repetidos ataques jurídicos, e por vezes físicos, contra a presença visível das manifestações da fé”, observou.
No mesmo sentido, o cardeal Tauran pediu que se denuncie “com a máxima força, a violência que fere e mata, ainda mais injustificada quando se escuda por detrás de uma religião”. “A harmonia entre crentes dá às sociedades de que estes fazem parte uma dimensão espiritual da vida, antídoto para a desumanização e os conflitos”, acrescentou.
Os trabalhos do Sínodo dos Bispos prosseguem até ao próximo dia 28, com a presença de dois representantes da Conferência Episcopal Portuguesa: D. Manuel Clemente, bispo do Porto, e D. António Couto, bispo de Lamego.
Ag. Ecclesia
