Uma pedrada por semana O querer e o não querer é, em muitos aspectos da vida, moeda corrente, sobretudo quando os princípios morais não contam e a coerência passou de moda. É assim em muitos campos, mas é cada vez mais assim no aspecto religioso.
O último barómetro do Centro das Investigações Sociológicas de Espanha (CIS) recolheu, a propósito das opções religiosas dos espanhóis, estes dados curiosos: A Espanha continua a dizer-se maioritariamente católica: 92% dos votantes no Partido Popular e 78% dos que votam no Partido Socialista, dizem-se católicos. Porém, coisa bem distinta é a prática religiosa, pois só 25 % dos populares e 10% dos socialistas vão à missa ao Domingo. Portanto, segundo os dados do CIS, 8 de cada 10 espanhóis consideram-se católicos, e apenas 1 de cada 10 se diz não crente. De resto, 7% diz-se ateu e 2% crente de outra religião… O jornalista que comenta o barómetro diz, com certo humor, que “o colectivo descrente cabe bem em alguns poucos autocarros”.
O governo socialista espanhol, à revelia desta realidade, livremente reconhecida, legisla cada dia agredindo sempre mais as convicções religiosas dos cidadãos e desafiando, com despudor manifesto, os responsáveis religiosos.
Por cá, passa-se o mesmo, porque se olha mais para Madrid e para a Europa que para o povo do norte, do sul e do centro. Será que é um propósito dos governos socialistas com maioria parlamentar, unirem ombros e não respeitarem as convicções dos cidadãos e o património religioso e cultural do país? Será que, ardilosamente, se aproveitam da incoe-rência religiosa para a sua incoerência política e para minarem as bases culturais que a maioria reconhece e continua a confessar? Não seria mais normal e útil ao país, perante valores confessados, legislar para fomentar, em todos os aspectos, a coerência dos cidadãos?
Cá e lá, entre os que legislam e governam, há muitos que se dizem católicos. Então, onde está a falta de coerência que criticam nos outros para legislarem a seu gosto?
Ou será que estou eu enganado?
António Marcelino
