Cálculo

Um dos maiores problemas que não nos deixa avançar enquanto sociedade hoje é este, o cálculo.

Advém na maior parte dos casos de interesses concentrados, de pontos de vista ou da ambição pessoal. Não tem mal nenhum, mas quando afecta o bem comum, já passa a ter.

Há males que podem cegar e hoje estamos muito cegos por este cálculo, pelo pensamento cego e ambicioso de que hoje tenho de me posicionar assim para daqui a uns tempos, dias ou anos estar de outra maneira.

Na política isso é frequente. Pensa-se no curto horizonte pessoal em vez de se ter os olhos postos no bem de todos, lá à frente, lá em cima! Na Igreja por vezes somos assim, trabalhamos para o momento e não para o projecto maior de Cristo.

Queremos o nosso quinhão de importância. Criticamos o protagonismo dos outros. Não temos os olhos postos no sonho magnífico dos Evangelhos, gerimos e trabalhamos para o agora… somos pouco ousados e nessa ambição pessoal esquizofrénica tornamo-nos mesquinhos, magoamos os outros, perdemos capacidade de evoluir, de prevenção. Não andamos para a frente, deixamos gente morrer de fome, gastamos milhões em crises facilmente evitáveis se não fosse este espírito de cálculo.

Quem vive assim vive mal. Não dorme bem à noite. Frequentemente acordará desassossegado! Não vive feliz porque o que é e como está nunca lhe chega, porque é preciso ter sempre mais, ter por ter e não por servir.

Se a palavra “Poder” no dicionário, na sociedade, na política e na Igreja se tonasse sinónimo de “Servir o(s) outro(s)” o nosso mundo mudava! Deixávamos de andar por aí a olhar para o chão, e depressa chegaríamos ao estádio em que até sobre as águas caminhávamos como o Mestre!