A Câmara Municipal de Aveiro (CMA) anunciou a intenção de abater 44 choupos na Avenida Dr. Lourenço Peixinho, no seguimento de um estudo elaborado pela empresa Planeta das Árvores, assinado por Serafim Riem, fundador e antigo dirigente das associações ambientalistas QUERCUS, FAPAS e Sociedade Portuguesa de Arboricultura, mestre em Gestão e Conservação da Fauna Selvagem Euromediterrânea, pela Universidade de Leon, e pós graduado em Arboricultura Urbana, pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa.
O relatório da Divisão de Arquitectura e Paisagismo da autarquia aveirense realça que os choupos são uma espécie com características incompatíveis com o meio urbano pelo que estão desadequadas aos actuais arruamentos da cidade, para além de evidenciarem sinais de fragilidade e degradação, havendo algumas árvores que podem constituir perigo para pessoas e bens.
Após o abate dos choupos, a CMA deverá proceder à colocação de árvores de outras espécies. No entanto, o grupo Amigos d’Avenida não ficou convencido com o parecer da autarquia e lançou uma petição, via Internet, intitulada “Eu gostava de conhecer o estudo que mandou abater 44 choupos na Avenida Lourenço Peixinho”, assinada por mais de duas centenas de pessoas, a exigir a apresentação pública do relatório elaborado pela empresa Planeta das Árvores. Em resposta, a autarquia disponibilizou o relatório que prevê o abate de cerca de 50% das árvores actualmente existentes na mais conhecida avenida da cidade.
Estudo não convence
Após a divulgação do estudo, o movimento informal de cidadãos Amigos d’Avenida apontou cinco falhar e “questões para reflexão”: esquecimento das dimensões ambiental, ecológica e estética na avaliação do problema; ausência de explicação para a recomendação do abate de apenas 18 das 36 árvores com “vitalidade sofrível”; ausência de “qualquer plano ou previsão de replantação” de novas árvores; falta de sugestão de alternativas que evitem o abate de árvores; exigência de uma reflexão sobre as causas da situação (podas mal feitas, colocação incorrecta de fios eléctricos e telefónicos, pregos?) e de recomendações para evitar situações similares.
