P.e Manuel Armando Rodrigues Marques, pároco de Aguada de Baixo e Avelãs de Caminho, lança no dia 17 de Dezembro o livro “Domingos de Luz e Poesia”, que recolhe reflexões à volta da liturgia de cada domingo. Partilha, deste modo, segundo a sua expressão, “algumas interioridades”. A apresentação do livro, a cargo da professora e escritora Rosinda de Oliveira, acontece no dia 17 de Dezembro, pelas 15h, na Junta de Freguesia de Aguada de Baixo.
Correio do Vouga – Em 2010 publicou “Os pés de um homem nas pegadas de Deus”, essencialmente de prosa. Agora surge este “Domingos de luz e poesia”. Está a revelar-se um escritor?
P.e MANUEL ARMANDO – Se escritor é quem começou por escrever, enquanto estudante pequenito, postais à mãe, pedindo uns centavos (que ela não tinha) para comprar um cadernito, então sim. Agora seria, naturalmente, tarde para me revelar como tal. E nem pretensões disso tenho. Apenas desejo continuar a ser um “ledor” da vida e das suas circunstâncias, compartilhando isso mesmo com os outros.
O que o inspira para escrever poesia e quais os seu temas mais habituais?
Cantar essa mesma vida é obrigação de cada um de nós. Conscientemente, não deverei deixar de o fazer. Os assuntos serão os mais comuns: a natureza, as pessoas, sobretudo as crianças em quem se espelham a bondade, a doçura, numa palavra, a verdade. Desde há algum tempo, olho para a liturgia de cada domingo e faço dela o tema preferido, no momento.
Isso explica o título que deu ao livro “Domingos de Luz e Poesia”?
O título deste livro deriva de uma conferência entre mim e o meu amigo Armor Pires Mota, que faz o favor de ser mesmo amigo, experimentado nas andanças literárias, que está na organização das páginas desta publicação.
A proposta baseou-se no facto de o domingo, para os cristãos, e não só, ser, por excelência, um dia de luz, de fé, de esperança, de família e clareza. E, para vivermos Deus, há que sentir o entusiasmo, no êxtase e elevação, para carregarmos, na vida de cada dia, a leveza, a suavidade, a entrega pessoal desinteressada, contemplando as obras e acções da Redenção.
Quem gosta de escrever, geralmente também lê muito. Dê-nos duas ou três sugestões de livros que lhe tenham “enchido as medidas”.
Não escolho, por defeito meu, o elenco de livros por temas. Em primeiro lugar, gosto de ler os nossos clássicos, que nos ensinam a escrever correctamente a nossa língua-mãe.
Depois, além de muitas biografias, li nestes tempos mais próximos passados, com agrado, e por isso destaco, “A Última Testemunha de Auschwitz” (Denis Avey), pelo drama da humanidade denunciado, que se há-de arrastar por uma vida inteira sem perdão possível e à espera da justiça de Deus; “O Segredo” (Rhonda Byrne), pela ajuda que nos dá no reconhecimento e descoberta da força anímica, implementada em cada um de nós e a reviver no dia-a-dia; os dois volumes de “Jesus de Nazaré” (Bento XVI), e, já agora na mesma linha, “Uma Vida de Jesus” (Shusaku Endo, católico japonês). Estes três últimos livros são portas abertas para quem quer ser ajudado a descobrir uma verdade de e sobre Cristo, com simplicidade, profundidade, cumplicidade e segurança.
