A crise que o nosso país atravessa tem agudizado as dificuldades das famílias, que cada vez mais chegam a privar-se do bem essencial e primeiro que é o pão para a boca. Foi esta situação que levou a que fosse criada pelo Estado um novo tipo de resposta social, iniciada em março de 2012, e a que aderiram as IPSS (instituições particulares de solidariedade social), as Misericórdias e as Mutualidades. Refiro-me às Cantinas Sociais, uma medida incluída no Programa de Emergência Alimentar, com Rede Solidária de Cantinas Sociais, cujos primeiros protocolos das instituições do distrito de Aveiro, com a Segurança Social, foram assinados em 28-5-2012.
Como o Estado não possui máquina capaz de responder diretamente aos problemas sociais, apenas as instituições de solidariedade social estão em posição de o fazer, pois só estas possuem instalações, recursos materiais e humanos, bem como o conhecimento concreto e profundo do terreno. Ficou decidido que o Estado comparticipa com 2,5 euros cada refeição servida pelas instituições (cobrindo apenas parte dos custos, e para um número máximo de refeições acordado), podendo estas optar por não as cobrar aos beneficiários ou, consoante os rendimentos das famílias, podem cobrar até ao valor máximo de 1 euro.
Actualmente em todos os concelhos do distrito de Aveiro existe pelo menos uma instituição com esta nova valência, rentabilizando os recursos pré-existentes, e servindo almoço e jantar 7 dias por semana. Em regra as refeições são entregues aos beneficiários nas instituições, ou nas suas casas, existindo excepcionalmente casos em que são tomadas nas próprias instituições. Assegura-se assim aos agregados familiares o acesso a uma refeição diária quente e completa.
Cada instituição aderente escolhe os destinatários, embora com preferência para casos como idosos com baixos rendimentos, famílias desempregadas com filhos a cargo, e portadores de deficiência ou com dificuldades de ingresso no mercado de trabalho, com confidencialidade de quem as requer. São ainda tidas em consideração situações de famílias com baixos salários, doenças crónicas, e famílias monoparentais, entre outras. De notar que em grande parte dos casos têm sido crianças as principais beneficiárias, mais expostas às dificuldades que os adultos e nunca delas culpadas.
A CNIS elaborou um relatório de avaliação ao Programa de Emergência Alimentar e às Cantinas Sociais, com base num questionário enviado a 207 IPSS suas associadas, que em Outubro de 2012 tinham em funcionamento a valência de cantina social. O relatório demonstra que há listas de espera em 12 dos 18 distritos, incluindo Aveiro, e que em cinco deles (Braga, Faro, Leiria, e Porto) a maioria das IPSS considera que as refeições distribuídas são insuficientes. Assim, após análise deste relatório, o Governo pretende financiar mais cantinas sociais, e permitir o aumento de refeições nas IPSS, designadamente em Aveiro, acabando desta forma com os limites de refeições e de uma cantina social por instituição, alargando nas IPSS, Misericórdias e Mutualidades o número de instituições que estão no Programa de Emergência Alimentar, e aumentando o número de refeições e dotações para essas instituições.
Em dezembro de 2012 existiam já no distrito de Aveiro 21 IPSS com cantina social contratualizada, para um total de 450 refeições/dia. Entre as associadas CNIS/UDIPSS-Aveiro sabemos que o programa tem sido desenvolvido essencialmente em meios rurais, com as refeições a serem confeccionadas nas próprias instituições. Ainda entre as associadas CNIS, os distritos que estão a servir maior número de refeições nas cantinas sociais são os de Aveiro, Porto e Coimbra.
