Aveiro “Aveiro é a capital da Arte Nova em Portugal”, afirmou Emília Nadal, presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA), na apresentação do livro “Francisco da Silva Rocha (1864 – 1957). Arquitectura Arte Nova – Uma Primavera Eterna”, da autoria de Maria João Fernandes.
Emília Nadal realçou o trabalho de restauro e valorização da arquitectura Arte Nova em Aveiro, o que faz de Aveiro um exemplo a nível nacional. No entanto, reconheceu que em Portugal ainda há muito por fazer neste sector, dizendo que “a defesa e divulgação deste património deve prosseguir em Aveiro e no país”.
Para a presidente da SNBA, Francisco da Silva Rocha foi um dos exponentes na criação e aplicação dos conceitos Arte Nova na arquitectura portuguesa, tendo deixado um vasto conjunto de obras na cidade de Aveiro e na região. Foi “um visionário” e “um pedagogo extraordinário”, como criador, pintor, arquitecto e professor.
Com este livro “renasce uma personalidade e uma obra é devolvida à cidade de Aveiro”, disse Emília Nadal, que considerou este livro uma “esplêndida obra monográfica”, com “grande rigor de investigação e de informação”.
Maria João Fernandes, bisneta de Francisco da Silva Rocha, sublinhou que “o que se passa em Aveiro é um exemplo na defesa da Arte Nova e da Arte Moderna”, pelo que a cidade “está de parabéns porque recuperou parte do património que a caracteriza”, ainda que haja vários imóveis, também eles emblemáticos da Arte Nova, por recuperar, entre os quais, citou o Antigo Hospital, a Casa Paris, a Vivenda Lígia.
Prefaciado pelo arquitecto Álvaro Siza Vieira (que chegou a ser anunciado como o apresentador da obra), este livro, que tem cerca de duzentas páginas e inúmeras ilustrações, foi editado pela Câmara Municipal de Aveiro.
Exposição na casa Major Pessoa
Na Casa Major Pessoa, futuro Museu Arte Nova de Aveiro, está patente ao público uma exposição alusiva à vida e obra de Francisco da Silva Rocha.
Para além de projectos arquitectónicos e fotografias de alguns dos imóveis projectados por Francisco da Silva Rocha e construídos na cidade e região de Aveiro, esta mostra desvenda outras facetas artísticas do homenageado, com destaque para a de pintor e a de pedagogo na Escola Industrial de Aveiro. Nesta mostra há também correspondência, documentos e objectos pessoais.
Museu Arte Nova – Francisco da Silva Rocha
Na apresentação do livro “Francisco da Silva Rocha (1864 -1957). Arquitectura Arte Nova: Uma Primavera Eterna”, tanto Emília Nadal, presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes, como a autora, Maria João Fernandes, bisneta do homenageado, defenderam que o futuro Museu Arte Nova, a ins-talar no imóvel conhecido por “Casa Major Pessoa”, deveria ter associado o nome Francisco da Silva Rocha. Se isso acontecer, os herdeiros estão disponíveis para ceder o espólio (parte do qual integra a presente exposição) ao museu.
Amaro Neves dicorda
O historiador Amaro Neves, autor do livro “A Arte Nova em Aveiro e seu Distrito”, publicado em 1997, considera que o futuro museu deveria chamar-se unicamente Museu Arte Nova.
Embora reconhecendo o papel importante que Francisco da Silva Rocha teve na promoção da Arte Nova em Aveiro, e na região, Amaro Neves ressalva que na cidade houve outros arquitectos com obra relevante no estilo Arte Nova, com destaque para Jaime Inácio e Ernesto Korrodi, alguns dos quais também com rico espólio actualmente na posse dos seus herdeiros.
Para este historiador de arte, o Museu Arte Nova poderia acolher o espólio artístico deixado por todos esses arquitectos, e não ficar confinado ao espólio de um único. De realçar que alguns imóveis Arte Nova existentes na região continuam, ainda hoje, como sendo de autores desconhecidos.
