Imóvel de interesse público A Capitania de Aveiro, cuja inauguração chegou a estar programada para o dia 4 de Março, sofreu um ligeiro atraso. Porém, segundo nos informou o presi-dente da Câmara, Alberto Souto, sê-lo-á provavelmente ainda este mês. Antes será inaugurada a Praça do Peixe, uma estrutura que irá dignificar aquele local, um ponto de encontro de muita gente.
Quanto à obra da Capitania, que passou por tantas vicissitudes e polémicas, vai apresentar, externamente, o estilo que sempre dignificou aquela zona nobre da cidade, envolvida agora noutras modernas estruturas bem complementares de um dos ex-libris da urbe dos canais.
Ultrapassados os diferendos que foram surgindo nestes anos, estamos, agora, face a mais um empreendimento — a renovada Capitania —, a juntar a outros concretizados ultimamente, muito em especial o Teatro Aveirense e a Praça Marquês de Pombal.
A empreitada está avaliada em 1,3 milhões de euros e é financiada em 75 por cento pelo Programa Operacional de Cultura do III Quadro Comunitário de Apoio. Os restantes 25 por cento serão divididos em partes iguais pelo Instituto Português do Património Arquitectónico e pela autarquia aveirense.
Este edifício, para além doutras valências, será uma estrutura para a Assembleia Municipal, com gabinetes e o indispensável salão nobre, salas de trabalho e da discussão dos problemas da vida aveirense. Nesta nova estrutura é englobado o gabinete do presidente daquela instituição autárquica.
No imóvel, segundo o autarca, faltam finalizar alguns pormenores, nomeadamente o artístico torreão, porventura, um minifarol com vista para os canais, tendo do lado poente as marinhas, ainda com o seu sal, e as relíquias históricas dos seus marnotos, e do nascente a altaneira chaminé do grandioso imóvel do Centro Cultural de Congressos, à espera que os barcos lá cheguem em turismo. A zona envolvente já se proporciona para uns passeios culturais, turísticos ou similares.
Um pouco de história
A construção do imóvel “Capitania” iniciou-se na década de 30 do século XIX, sob a responsabilidade de Joaquim José, fundador, que foi, da Fábrica Vista Alegre. Passou por sede de várias actividades, nomeadamente de moagem industrial. Mais tarde funcionou como Escola de Desenho Industrial. Finalmente, em 1925, o histórico edifício foi vendido à Marinha, transformando-o em “Capitania”. Contudo, na década de 90, do século passado, a degradação era notória e oito anos depois tentou-se a recuperação. Porém, viria a ser inviabilizada pelo Tribunal de Contas a segunda fase da empreitada, então avaliada em 250 mil contos. A Marinha não teve outra solução, senão ceder o imóvel à autarquia, que, como se disse, aposta em enriquecer, com este imóvel, o património artístico-cultural de Aveiro.
