Depois do Senda Gitana e do Novas Sendas, a Cáritas lidera o projecto MultiSendas, focado na permanência das crianças na escola
Arrancou na passada sexta-feira, 29 de Janeiro, o projecto MultiSendas, liderado pela Cáritas Diocesana de Aveiro e destinado à comunidade cigana dos três bairros dos Ervideiros (entre Esgueira e Cacia). O projecto sucede ao Senda Gitana (de 2003) e Novas Sendas (de 2007), que mostraram bons resultados na integração da comunidade e no combate ao absentismo escolar dos mais novos.
José Alves, presidente da direcção da Cáritas, considera que a interrupção do projecto, por falta de financiamento, embora a Cáritas nunca tivesse abandonado os Ervideiros, levou a que a comunidade “perdesse ritmo” para coisas importantes como levar os filhos à escola, mas mostra-se confiante nos frutos do MultiSendas.
O projecto é financiado pela Segurança Social e pela União Europeia, mas é desenvolvido no terreno pela Cáritas, destacando-se a acção de Carla Fernandes, assistente social, e Andreia Andrade, educadora social.
Carla Fernandes explica que o MultiSendas vem na “sequência dos outros, mas tem pequenas nuances”. “Vamos promover actividades em período lectivo para jovens que já abandonaram a escola, com oficinas diversas, artes, promoção da saúde. E vamos ter mais educação parental para pais e mães. Mas o mais importante é a acção muito constante entre escola, pais e alunos. Nas férias escolares, há actividades a tempo inteiro para as crianças da escola”, afirma a responsável pelo projecto. Andreia Andrade acrescenta que não se esperam milagres, mas pequenos resultados como a diminuição do absentismo escolar. “Ir ou não ir à escola é que pode fazer a grande diferença entre os bons e maus resultados do projecto”, remata.
O início oficial das actividades, com uma plateia constituída por ciganos, decorreu na fundação CESDA (Centro Social do Distrito de Aveiro), no Paço (Esgueira), por esta instituição ser a responsável pelo acompanhamento dos que na comunidade cigana têm direito ao rendimento social de inserção (RSI). Como é sabido, o absentismo escolar dos filhos leva ao corte do RSI dos pais.
Jorge Pires Ferreira
“Aprendi carpintaria e canalização”
Afonso Monteiro Robalo: “Tenho uma filha de sete anos, mais dois no jardim-escola e uma pequenina. A mais velha anda no projecto. Depois da escola frequenta-o e sinto que assim ela aprende melhor na escola. Eu frequentei o projecto em anos anteriores (Senda Gitana e Novas Sendas) e aprendi carpintaria e canalização. Fiz uma cadeira. Em minha casa fiz uma banca para a loiça e fiz a canalização para a máquina de lavar”.
“Ajudou-me muito a ser melhor mãe”
Romana Monteiro: “Também tenho quatro filhos [é irmã de Afonso]. Andam duas filhas minhas no projecto. Também tenho participado em todas as actividades. Aprendi a cozinhar e a conviver com os outros. Aprendemos a fazer coisas para desenvolver as crianças. Ajudou-me muito a ser melhor mãe”.
