Carta de consciência do padre Manuel João dos Santos Cartaxo

O P.e Cartaxo faleceu no dia 21 de Julho de 2010. Três anos antes havia escrito esta “carta de consciência” que o Correio do Vouga publica com a cortesia do jornal Terras de Vagos.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!

1. Eu, Manuel João dos Santos Cartaxo, filho de Álvaro dos Santos Cartaxo e de Maria Adelaide de Almeida, nascido a 16 de Abril de 1943, em Fonte de Angeão, baptizado a 16 de Maio do mesmo ano, na igreja paroquial de Covão do Lobo, ordenado presbítero a 30 de Julho de 1967, na Sé de Aveiro.

No pleno uso das minhas faculdades, faço deste modo as minhas disposições de última vontade.

2. Renovo a minha fé em Deus e desejo fazer a sua vontade santíssima, em conformidade com um dos lemas por que procurei orientar a minha vida: “Eu venho, Senhor, para fazer a vossa vontade” (Heb 10,7).

Proclamo a minha adesão à Santa Igreja Católica, em cujo seio fui baptizado, vivo e quero morrer.

Agradeço a Deus ter-me feito cristão e sacerdote, bem como todas as graças que, na sua infinita misericórdia, se dignou conceder-me.

3. Agradeço a todos aqueles que me fizeram bem, particularmente aos meus Pais, Irmãos e Familiares, sacerdotes, educadores dos Seminários de Aveiro e Olivais (Lisboa) Bispos. Dentre estes, destaco D. Manuel de Almeida Trindade, que me ordenou, e D. António dos Santos, a quem acompanhei ao longo de muitos anos. Ambos foram para mim exemplo de virtude, nos caminhos do serviço eclesial.

Perdoo, de todo o coração, a quem me tenha feito qualquer mal. Peço perdão àqueles a quem, alguma vez tenha ofendido.

4. Ofereço a minha vida pela Santa Igreja; pelas vocações e Seminários; pela santificação dos sacerdotes e pelas Missões; pelas Dioceses de Aveiro e Guarda; e pela minha Família, a quem sempre amei.

5. Aceito a morte como expiação dos meus pecados e último ofertório da minha vida, que coloco nas mãos de Deus e sob a protecção de Nossa Senhora, minha Mãe. Antecipadamente agradeço os sacramentos e sufrágios da Santa Madre Igreja.

6. Espero beneficiar dos sufrágios estatuários da Fundação Nun’Álvares e da União Apostólica do Clero (Guarda) e da Fraternidade Sacerdotal de Sufrágios (Aveiro), nas quais estou inscrito.

7. É minha intenção continuar a partilhar, em vida, os meus bens, especialmente a favor dos Seminários, Pobres e Missões.

8. Desejo ser sepultado no cemitério da minha terra natal, Fonte de Angeão, se possível, na campa de meus Pais.

9. Peço ao Senhor que me acolha no seu santo Reino, onde espero encontrar aqueles a quem amei e por quem fui amado, neste mundo.

10. Virgem Maria suplico confiadamente: Ao chegar a minha última hora, vinde, sem demora, levar-me ao céu! Assim, “habitarei sempre na casa do Senhor!” (Salmo 22)

In Te, Domini speravi, non confundar aeternum!

E que tudo seja para honra e glória de Deus e da Santíssima Virgem! Ámen! Aleluia!

Vagos, 4 de Abril de 2007.

P.e Manuel João dos Santos Cartaxo