Cara Infanta minha,
Tal como tu — perdoa-me a ousadia de assim te tratar —, sei o que é a dor e a saudade de não ter mãe. Minha mãe deixou-me aos três anos. Antes de fugir — sim, foi isso que ela fez: fugiu —, minha mãe deixou-me duas (meias) irmãs mais novas. Ver-me, de repente, sem família, ou melhor numa família de acolhimento, foi muito difícil. Não me sentia capaz de lutar pela vida. Faltava-me a força.
Hoje, Joana Princesa, sei que em Deus encontrei essa força, encontrei um pai presente. Um Pai que ama a todos e que não nos deixa desamparados e órfãos de amor. Foi, também, em ti — modelo e exemplo de vida — que vi o amor e a dedicação a Deus nosso Senhor. Foram muitas as barreiras que se atravessaram em meu caminho, barreiras que me faziam fraquejar e vacilar. Hoje, sei que são essas barreiras que tornam o nosso amor grande e a nós dignos de sermos chamados filhos de Deus.
Nós, moços e moças deste tempo, vivemos apegados aos bens materiais, às coisas fúteis e sem valor; não nos apercebemos da força interior que nos impele, de algo maior que este mundo terreno: do amor de Cristo que se entregou à morte de cruz para nossa salvação.
Ajuda-me, Padroeira minha, a levar até aos jovens de hoje aquilo por que lutaste: “Era o amor de Jesus Cristo que me chamava, e me chamava para segui-Lo, onde mais de perto O pudesse imitar e servir.” Ajuda-me a também eu me entregar a Cristo sem relutância e a realizar o meu sonho: ser feliz para Deus. Mesmo que isso implique não estar de acordo com os Homens do meu tempo: aqueles que julgam as pessoas sem as conhecerem e que as avaliam pelos preconceitos.
Ajuda-me, ó Princesa, a ver a luz, porque basta uma pequena luz na escuridão para me alumiar. Que essa luz não seja a Lei dos Homens, mas sim a Lei do Deus a que te entregaste.
Filipe Nunes
Jovem universitário
O Correio do Vouga publica, hoje e nas próximas semanas, algumas respostas dos jovens a Santa Joana. A Comissão Diocesana da Cultura, com a colaboração da Irmandade de Santa Joana, desafiou os jovens a responderem a uma carta da Princesa de Aveiro (escrita em 1979 por D. Manuel de Almeida Trindade). As respostas podem ser apreciadas na Biblioteca Municipal de Aveiro.
