Casa Sacerdotal

Nota Pastoral Mais do que as casas valem as pessoas que as habitam. As casas e as instituições ganham sentido, razão de ser e sustentabilidade quando são pensadas, construídas e colocadas ao serviço das pessoas, da sua dignidade e do seu bem.

Ao decidir construir a Casa Sacerdotal de Aveiro, depois de ouvir os sacerdotes da Diocese e acolher ideias e sugestões, estou a pensar nos sacerdotes de hoje e do futuro e em quantos ao longo da vida dedicadamente os acompanharam e serviram.

No horizonte da missão pastoral de cada membro da Comunidade diocesana está sempre o desejo e a vontade de cumprir o Evangelho e de edificar a Igreja de Jesus Cristo. Construir uma casa que seja verdadeira Betânia e necessário Cenáculo para a família sacerdotal da Diocese de Aveiro deve ter este sentido e assumir este compromisso.

Destina-se a Casa Sacerdotal a receber com dignidade humana e dedicação fraterna os sacerdotes em situação de doença ou de idade avançada, assim como todos os outros que necessitem de um lugar onde se acolham por direito próprio e de irmãos que a eles se dediquem de coração pleno.

Assumi como prioridade pastoral o imperativo de incentivar um renovado dinamismo vocacional em toda a Diocese. É meu desejo oferecer uma serena e permanente atenção à inserção pastoral dos sacerdotes mais novos e acompanhar, de maneira próxima e fraterna, a vida e a missão de todos. Sensibiliza-me, igualmente, ver o diminuir progressivo da saúde dos mais idosos e reconhecer o peso desgastante e excessivo do trabalho que atinge os sacerdotes de todas as idades, porque tão poucos nós somos.

Os seminaristas e pré-seminaristas de hoje são a esperança, o projecto e o caminho do futuro do Presbitério e os sacerdotes são a sua herança, memória e bênção.

Impõe-se, por isso, um acompanhamento solícito e fraterno dos que iniciam o labor apostólico, por entre o heroísmo da generosidade e as dificuldades inerentes à vida de quem começa e exige-se uma atenção cuidada aos que, no sobraçar dos anos, se sentem desgastados pelo cansaço ou fragilizados pela doença.

A solidão só existe quando Deus em Quem acreditamos e as pessoas que servimos não moram dentro de nós e quando as causas que abraçamos não nos mobilizam nem nos determinam a prosseguir o caminho com alegria e fidelidade.

O medo do futuro só nos magoa quando a esperança e a fortaleza dos ideais que nos animam e preenchem desde o dia primeiro em que Cristo nos escolheu e chamou não são suficientemente consistentes e determinantes quando a presença dos irmãos não se manifesta em sinais visíveis e sólidos de solidariedade e de comunhão.

Não escasseiam na nossa Diocese instituições e estruturas sociais e pastorais nem nos mingua a vontade de as colocar cada vez mais e melhor ao serviço da Igreja, mas faz-nos falta uma Casa Sacerdotal. Dar vida, confiança, valor e atenção aos sacerdotes que somos, agradecendo e louvando a vida dada e o bem realizado, é a melhor maneira de merecermos e prepararmos os sacerdotes de que amanhã precisamos.

Senti, desde o primeiro anúncio feito à Diocese no dia 8 de Dezembro de 2007, que o acolhimento desta iniciativa e a generosidade da Igreja diocesana a esta causa se começaram desde logo a manifestar em sinais, gestos, dons, incentivos e oração. Iniciamos hoje o caminho. Vamos por isso em frente.

Partimos do Cenáculo em que se transformou a nossa Igreja Catedral, nesta Quinta-feira Santa, saboreando a alegria do Presbitério que somos, reunido na manhã deste dia, na Missa Crismal. Percorreremos todas as etapas do caminho cumprindo o conselho de Cristo: “Dei-vos o exemplo, para que, assim como eu fiz, vós façais também “ (Jo. 13,15)

Confio na generosidade de toda a Diocese: presbíteros, diáconos, consagrados e leigos. Recordo e evoco passos muito belos de caminhos já andados e momentos marcantes de iniciativas anteriores já concretizadas, como foram o Seminário Diocesano de Santa Joana Princesa, em Aveiro, o Seminário de Nossa Senhora da Apresentação, em Calvão, a Casa Diocesana de Nossa Senhora do Socorro, em Albergaria, e o Centro Universitário Fé e Cultura. Deste modo, anuncio e antevejo já a celebração jubilosa dos 75 anos da nossa Diocese, que terá na Casa Sacerdotal um dos seus melhores momentos e dos seus mais belos sinais.

Coloco no coração de todo o Presbitério diocesano a realização deste sonho por todos acalentado e que por tantos me foi insistentemente expresso e agradeço a disponibilidade, de imediato manifestada, pelos membros da Comissão para o efeito hoje nomeada.

Ainda não está decidido o lugar nem escolhido o nome. Cada opção terá o seu tempo e o seu espaço. Deixar-nos-emos conduzir pelo ritmo e pela força do Espírito de Deus.

Imploremos a bênção de Nossa Senhora, Mãe Sacerdotal, Mãe de Jesus e nossa Mãe, e confiemos o bom êxito desta decisão e desta iniciativa à intercessão de Santa Joana Princesa, nossa Padroeira.

Penso na Casa Sacerdotal como quem vê surgir, no horizonte do tempo e no coração de Aveiro, um Santuário de Gratidão da Diocese aos seus sacerdotes.

Aveiro, 20 de Março, Quinta-feira da Semana Santa de 2008

† António Francisco dos Santos