Catequistas de Estarreja e Murtosa em formação

O arciprestado de Murtosa e Estarreja, com o apoio do Secretariado Diocesano de Catequese da Infância e Adolescência da Diocese de Aveiro (SDCIA), promoveu um curso de iniciação para Catequistas que decorreu no salão paroquial de Pardelhas, Murtosa, nos dias 16, 17, 22, 23 e 24 de Setembro, sob orientação de Assunção Costa, directora do SDCIA, e a Irmã Maria Emília. Participaram 75 catequistas, sendo de realçar a perseverança e o entusiasmo com que participaram no curso ao longo dos cinco dias.

O curso abordou os seguintes temas: A realidade da catequese nos nossos dias e as motivações dos que a procuram e dos que a fazem; Como Jesus catequizava; Imagem que o catequista tem de si próprio e a que os outros têm, com destaque para o referencial bíblico do catequista; O que o catequista anuncia; Os destinatários: as características dos que estão na catequese, a importância da Palavra de Deus, a consciência de que toda a vida é um processo de aprendizagem; Os meios e os processos através dos quais o catequista anuncia.

Sem pretender ser exaustivo, deixo uma síntese dos temas abordados, na certeza de que cada participante os absorveu de maneira diferenciada, mas certamente com grande proveito.

24 horas por dia. O catequista deve ter sempre presente que foi Deus quem o chamou e o capacita para a missão. Esta certeza o animará e lhe dará forças para levar a cabo a sua missão, que não é apenas a de transmitir o conhecimento do Evangelho, pois é também a de levar um modo de vida com ele condizente, 24 horas por dia.

Como dar catequese? Todos os catequistas já viveram esta inquietação: como dar catequese? A resposta parece simples: à maneira de Jesus. Veja-se o que aconteceu com os discípulos de Emaús. Jesus dirigiu-se-lhes, interpelou-os, ouviu-os, e no fim recordou-lhes todos os acontecimentos. Jesus não falou “lá do alto”. Fez-se homem para melhor ser entendido pelos homens. Fez-se proximidade, falou com a Samaritana, lavou os pés aos Apóstolos, sofreu tentações.

Catequese não é aula. Mas se a receita é simples, aplicá-la é bem mais difícil, pois transmitir a fé num acto catequético é coisa muito diferente de uma aula de religião. A catequese não é apenas para nos pôr em contacto com Cristo, mas em comunhão com Ele. O catequista deve ser um catecismo vivo. Caso contrário, tudo é papel!

A Igreja dedica uma particular atenção à catequese, e as suas orientações inspiram-se na Tradição oral, na escrita da Palavra de Deus e nos documentos dos primeiros séculos. A catequese é pois uma experiência tão antiga como a Igreja, faz parte da sua acção missionária e pastoral, e apesar dos tempos difíceis que atravessamos deve ser vivida na alegria da fé.

Testemunhas. O mundo não precisa de mestres, pois o único Mestre é Jesus, mas precisa de testemunhas, e isso é tarefa de todos nós, catequistas e comunidade. A palavra convence, mas o exemplo arrasta. O catequista deve sentir que vocação é uma missão que nos faz estar com Deus numa entrega total, numa disponibilidade que nos faz reflectir e actuar. Moisés saiu de si mesmo e acolheu a vontade de Deus. Pedro respondeu a Jesus: “Para onde iremos se Tu tens palavras de vida eterna?” O catequista tem que assumir os valores do Evangelho e não andar ao sabor das modas, das correntes de opinião.

Eu e Jesus. A certa altura, em jeito de desafio foi-nos colocada a seguinte questão: “Jesus foi capaz de dar a vida por ti. E tu, o que já fizeste por Jesus?” E foi acrescentado: “Deves descobrir que o projecto de Deus é caminho de felicidade. Depois entrar num processo de conversão e ser mensageiro. Como a Samaritana: reconheceu o Messias, deixou o cântaro, já não lhe interessava a água, deixou tudo e foi a correr anunciar Jesus!”

C. S.