Centro Social da Palhaça vai acolher cidadãos portadores de deficiência

Entrevista ao P.e José Augusto Pinho Nunes, presidente do CSPSPP CORREIO DO VOUGA – Há boa relação entre o Centro Paroquial e a paróquia da Palhaça?

P.E JOSÉ AUGUSTO PI-NHO NUNES – Muito boa. Primeiro, porque o Centro nasceu das necessidades das pessoas. Depois, pela proximidade física. O Centro funciona em instalações junto à Igreja e está à vista de todas as pessoas. Por outro lado, embora a autonomia jurídica pudesse proporcionar algum afastamento, após o horário habitual de funcionamento, o Centro cede as instalações para catequeses ou reuniões da paróquia. É visto por muitas crianças, jovens e adultos. Finalmente, há actividades como a Festa de Natal ou o Cortejo de Carnaval, que aproximam o Centro da comunidade. Todas as pessoas sabem que, na tarde de segunda-feira de Carnaval, há um cortejo e assistem muitas mais do que os utentes e seus familiares. O Centro Social participa ainda no Cortejo de Reis, oferecendo um cabaz.

O Centro tem projectos grandiosos para o futuro. Quais são?

Os três grandes projectos que temos são a Construção de um Centro de Actividades Ocupacionais para cidadãos portadores de deficiência (CAO), a construção de uma nova Creche, e a construção de um equipamento na valência de Lar de Idosos (21 utentes), Centro de Dia (30 utentes), Serviço de Apoio Domiciliário (30 utentes) e Creche (54 utentes). A construção do CAO já foi aprovada, tal como já foi assinado o acordo de comparticipação financeira. A ideia deste equipamento surgiu quando, no ano Europeu dos Portadores de Deficiência, D. António Marcelino sugeriu às instituições que estivessem aten-tas às necessidades destas pessoas.

Quanto aos restantes equipamentos, estão em fase de candidatura. Todas estas obras são para edificar em terrenos doados pela Câmara Municipal de Oliveira do Bairro e pela Junta de Freguesia da Palhaça, na Rua da ADREP, entre as instalações da ADREP e o Parque de Merendas.

Com estas respostas globais, pode-se dizer que há uma boa atenção aos mais desfavorecidos na sua paróquia?

A acção do Centro Social nota-se ainda nas baixas contribuições que pede aos utentes e na distribuição que faz de alimentos a 21 famílias (num total de 80 pessoas), por coordenar localmente o Programa Comunitário de Ajuda Alimentar, o chamado PCAC, da Segurança Social. Mas é claro que os problemas não estão todos resolvidos.

Por um lado, temos, na paróquia, um grupo Cáritas, que está neste momento em reorganização. Por outro, sentimos necessidade de criar dinâmicas de acolhimento às pessoas que chegam à Palhaça. Esta terra está em expansão e sabemos que quem vem viver para a Palhaça nem sempre vem nas melhores condições. Penso que, se forem bem acolhidas, menos dificuldades, menos pobreza haverá.

Não devemos ter medo de dizer que temos pobres. O plano pastoral diocesano [que exige atenção aos pobres] deve alertar-nos para isso: não camuflar nem esconder a pobreza. O Centro Social é também uma organização que procura despertar a consciência da paróquia para as necessidades que existem. Tem respostas institucionais, tem meios técnicos e acesso aos recursos para encontrar respostas, mas não deve nem pode limitar a acção dos cristãos.

História do Centro Social Paroquial São Pedro da Palhaça

1978 – (1 de Julho) Início das actividades, em instalações paroquiais, com a valência de Creche

1980 – Inscrição do CSPSPP na Segurança Social

1984 – Início do Centro de Actividades de Tempos Livres

1986 – (1 de Janeiro) Registo dos estatutos no Livro das Fundações de Solidariedade Social.

1987 – (26 de Agosto) Assinatura dos primeiros acordos de coopera-ção com a Segurança Social, que permitem ter 90 crianças em Creche e Jardim-de-Infância e 30 em ATL.

2001– (30 de Março) Primeiro acordo para o funcionamento do serviço de apoio domiciliário

2007 – (23 de Junho) Assinatura do acordo de comparticipação finan-ceira para a construção de um Centro de Actividade Ocupacionais para portadores de deficiência.

(7 de Novembro) Aprovação da candidatura para a construção de uma nova Creche e de um equipamento que inclui Lar de Idosos, Centro de Dia e Serviço de Apoio Domiciliário e outra Creche.

2008 – (em breve) Entrada em funcionamento do “site” do Centro Social: www.csp-palhaca.pt.

Números

189

utentes que o CSPSPP serve actualmente, distribuídos pela creche (38 bebés), jardim-de-infância (52 crianças), ATL (60 crianças), Centro de dia (25 idosos) e apoio domiciliário (24 utentes). Nas instalações previstas serão criados mais 104 lugares nos vários serviços.

30

funcionários que trabalham no CSPSPP. A instituição mantém protocolos com o Centro de Emprego de Águeda, para acolher três funcionários em regime de POC (programas ocupacionais subsidiados). A breve prazo, serão criados 50 novos postos de trabalho.

2 000 000

(dois milhões) de euros é quanto deverão custar as obras aprovadas pela Segurança Social em 2007 e a levar a cabo nos próximos anos. As obras serão financiadas em partes sensivelmente iguais pelo Estado, através do PARES (Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais), e por fundos garantidos pelo CSPSPP.