Centro Social Paroquial de Santa Maria da Murtosa

Instituições, Grupos e Serviços de Pastoral Social na Diocese de Aveiro – 4 O Centro Social Paroquial de Santa Maria da Murtosa (CSPSMM) foi criado em 1985, embora com a designação de Património dos Pobres. De então par cá, tem crescido a um ritmo seguro, na oferta de serviços à comunidade, mas com algumas dificuldades – a que não será alheio o ambiente humano em que se insere. A população da Murtosa é a mais envelhecida do distrito, pois muitos dos activos estão imigrados (Venezuela, França, Estados Unidos – só Newark, com 10 mil murtoseiros, tem mais murtoseiros do que o concelho da Murtosa). Por outro lado, parte da população residente vive da pesca da Ria, sujeita a grandes variações.

Neste contexto, o CSPSMM oferece as valências habituais de uma instituição deste tipo, como a creche e o jardim-de-infância, que funcionam em instalações cedidas pela Câmara Municipal da Murtosa, dá apoio domiciliário a 29 utentes (principalmente idosos) e dispõe do serviço Família e Comunidade, que nesta altura lida com 105 famílias que passam por alguma dificuldade. Este serviço funciona quase como uma agência de outros serviços como o Rendimento Social de Inserção, a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens, o Banco Alimentar, ou outros programas de acção social, atendendo, acompanhando e encaminhando as famílias. A Família e Comunidade dispõe ainda da Sala Renascer onde, gratuitamente, os murtoseiros podem medir a tensão arterial.

Na Murtosa há uma década, o Pe António Cruz deu um grande impulso ao CSPSMM, promovendo obras na sede da instituição, que fica no largo da igreja paroquial, e solucionando pessoalmente casos de carência social. O pároco considera que a instituição a que preside pode juntar esforços a outra instituição do concelho, a Santa Casa da Misericórdia da Murtosa, no combate à exclusão, e gostava que os murtoseiros apoiassem mais o Centro, que “é de todos”. Para isso, foi criada já em 2007 a Liga de Amigos do CSPSMM. Os seus membros ainda não chegam às três dezenas. Mas agora já há uma forma mais directa de os murtoseiros participarem numa obra que dignifica a terra e, nunca é de mais repetir,“é de todos”.

J.P.F.

Há um grande trabalho por fazer ao nível da formação humana”

Correio do Vouga – Nesta instituição a que preside, qual considera ser a principal necessidade?

Pe António Cruz – Neste momento, em termos imediatos, precisamos de um novo edifício para acolher os diversos serviços. Este, onde estamos, era uma casa particular comprada a uma família, no tempo do Pe José Gualdino, e adaptada. No curto prazo, precisamos ainda igualmente de um meio de transporte para os nossos utentes. Há tempos, um responsável da Segurança Social no distrito sugeriu que eu interpelasse directamente o ministro da Solidariedade Social e assim fiz; mas até agora não obtive resposta.

A médio prazo, achamos que seria bom haver um Centro de Noite, um espaço que à noite acolhesse idosos. Durante o dia estariam nas suas casa. À noite teriam outro apoio no Centro.

Nas suas três paróquias, Murtosa, Pardelhas e Monte, que grupos ligados à Pastoral social existem?

Em todas existem Ministros Extraordinários da Comunhão e Visitadores dos Doentes. Na Murtosa e no Monte há Conferências Vicentinas. Em Pardelhas, há um grupo Cáritas.

É sabido que no concelho da Murtosa há carências sociais graves. A Câmara Municipal fez recentemente um diagnóstico do parque habitacional, apontando problemas na Torreira e esquecendo, segundo algumas vozes, as lacunas, neste campo, na Gafanha Baixa (Murtosa). No seu entender, o que falta fazer para acabar com a pobreza?

Penso que há que fazer, sobretudo, um trabalho ao nível da formação das pessoas. A falta de valores e de critérios tem reflexos no campo económico e, por exemplo, no pouco acompanhamento que se dá às crianças. Essa missão também pertence ao Centro Social, segundo os estatutos, mas é difícil de executar.

Números

32

crianças que o Centro Social Paroquial Santa Maria da Murtosa apoia na Creche (14) e no Jardim-de-Infância (18).

29

idosos servidos pelo Serviço de Apoio Domiciliário.

105

famílias, correspondendo a cerca de quatro centenas de pessoas, apoiadas pelo projecto Família e Comunidade. Este projecto promove a integração social através do atendimento, encaminhamento e acompanhamento dos processos de Rendimento Social de Inserção (RSI, antigo “rendimento mínimo”), Protecção de Menores, ou outros programas socais.

20

funcionários do CSPSMM, distribuídos pelas quatro valências. A direcção, voluntária, é constituída por oito elementos, tendo como presidente o Pe António Cruz. António Morais é vice-presidente e Francisco Fernando é tesoureiro.

441

milhares de euros que o Centro Social movimentou em 2006.

Principais datas

1985 – Surge o Centro Social Paroquial Santa Maria da Murtosa (CSPSMM), ainda com a designação de Património dos Pobres.

1989 – Aprovação dos Estatutos do CSPSMM.

1997 – É criado o ATL (actividades de tempos livres), para crianças em idade escolar, que funciona até 2007.

1998 – É criada a Creche.

2007 – Criação da Liga dos Amigos do CSPSMM, para promover a participação da comunidade presente ou emigrada. Um dos objectivos da Liga é a ampliação das condições físicas do CSPSMM.