“Certezas” políticas desanimadoras

Questões Sociais 1. Sem pessimismo, e com a lucidez possível, podemos dar como certas determinadas orientações políticas futuras.

Assim, relativamente às crianças, não se instituirá uma autoridade social local para intervenção imediata nos casos de abandono e maus tratos. Não se criarão condições de igualdade de acesso a creches e a jardins de infância. Não se tomarão medidas que garantam, em todo o país, a satisfação de necessidades básicas e o acompnhamento recomendável, sempre que necessário.

Relativamente às pessoas com deficiência, não se generalizará o acesso a instituições ou serviços de apoio nos domínios da educação e formação profissional, do acesso ao emprego, da habitação e enquadradamento familiar ou institucional ao longo da vida.

Relativamente aos “grandes dependentes” (por motivo de doença ou acidente grave, deficiência profunda ou idade muito avançada), não se assegurará a articulação entre os Ministérios da Saúde e da Segurança Social, e prosseguirão as hesitações e insuficiências sobre a rede de unidades de cuidados continuados. Relativamente à erradicação da pobreza, continuará a não ser feito o apuramento estatístico dos casos sociais atendidos e tratados pelos diferentes serviços sociais, públicos e particulares. Não se aproveitarão os recursos disponíveis para combater a subalimentação e a falta de abrigo. Não se promoverão iniciativas de desenvolvimento sociolocal, centradas na congregação de esforços a favor da solução e problemas de emprego e de outros problemas sociais.

Relativamente à economia de subsistência, à economia informal (não clandestina) e à micro e pequena empresa, continuará o abandono a que têm sido votadas. Continuará a ser esquecido o seu potencial para a criação de trabalho-empresa e para a cultura e prática da responsabilidade.

2. Muitas outras “certezas”, ou probabilidades, desanimadoras, se poderiam acrescentar relativamente a todos os domínios políticos. Provavelmente, ficará prejudicado tudo o que se relaciona com o respeito devido a cada cidadão, a cada pessoa, às suas carências, potencialidades e iniciativas.

Quem dera que tudo fosse diferente destas hipóteses de políticas futuras…

Quem dera que nenhuma destas “certezas” correspondesse à realidade.