Chegada

Ponta de Lança Por circunstâncias pessoais, este é um dos apontamentos mais difíceis que tenho de escrever. Não terá nenhuma conexão desportiva! Não consigo fazer qualquer paralelismo com o assunto central do “Ponta de Lança”. Escrevo pela obrigação moral de não falhar ao compromisso para com o “Correio do Vouga”. E deixo-o como testemunho de fé!

A experiência da morte que todos vivemos, porque certa, é sempre muito difícil. Arranjamos atenuantes (a idade, o sofrimento,…) mas a dor, quando se ama, não se dilui.

De madrugada recebo o sms esperado mas sempre na esperança de não o ver confirmado: “o meu pai partiu”.

Porque o amo tanto, esteve tanto comigo, fomos tanto um para o outro, aquele “meu pai” é também “meu pai” porque ele, eu e eu nele vimos sempre o meu pai como nosso pai, que também já partiu há vinte anos.

Num fundo a nossa vida é isso mesmo, um história de partidas.

Este é um paradigma. Aos doze anos deixa a família longe (para o tempo e ainda agora) e vem trabalhar para casa de quem mais não pode dar que tecto e pão. Estávamos no início da década de sessenta!

Depois, as partidas da vida continuam com a opção entre a guerra no ultramar ou a marinha. Uma e outra situação implicavam muitas partidas pelas quatro partidas do mundo! Optou pela marinha!

Pela personalidade, pelo carácter, pela docilidade, pela humildade foi um verdadeiro testemunho da simpatia, da simplicidade. Aproximou quem esteva longe e quem estava perto. Agora o Senhor chamou-o para a sua última viagem. Hoje, deu-se a partida!

Acreditando que “se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a nossa fé” (1 Co 15,14), não vale a pena olhar para trás perante a grandeza deste chamamento! Deixou mulher, filhos, amigos, … partiu!

Adeus, Joaquim!

Embora nos doa, como sempre nos doeram as partidas, conforta-nos a alegria da chegada.

Encontrar-nos-emos mais à frente!