Chorar os jovens mártires noruegueses de Utoya

Colaboração dos Leitores Foi há um ano, mais propriamente no dia 22 de julho de 2011, que o mundo, atónito, assistiu a uma das maiores tragédias de que há memória. Uma autêntica carnificina!

Um terrorista, um indivíduo que de humano só tem o aspeto, um matador que, levado por um “ideal” que ainda hoje não se sabe qual é, mata a sangue frio quase uma centena, repito quase uma centena de jovens que não cometeram crime algum. Apenas conviviam, generosos, com a mais nobre das ambições, o mais alto dos sonhos, o de serem úteis à sociedade e de fazerem coisas boas pelos outros, de serem cidadãos inteiros e ativos, interessados e dialogantes, de pensarem a comunidade, o seu país e o mundo.

O horror, o silêncio e as lágrimas, e porque não chorar (?), ante as imagens terríveis e desumanas dos jovens massacrados e mortos sem saberem porquê?!… É este o mundo que temos! Perante este cenário tétrico e desumano que se repete todos os dias e por toda a parte, até parece que Deus, desanimado (se assim se pode falar), se esqueceu do mundo e do homem que criou, deixando-o à sua sorte…

Talvez não.

E o que mais me choca, no meio disto tudo, é ver que um indivíduo deste jaez, que não está arrependido do crime que cometeu, tem honras, ia quase a dizer, de chefe de Estado, de reportagens de televisão, de tratamentos VIP, como se de um herói se tratasse! Pobre mundo em que vivemos!

Se crimes desta natureza se cometem à sombra da democracia ou à sombra de qualquer religião, pobre democracia e pobre religião!

Há que chorar, sim, os mártires noruegueses. Se tivesse possibilidades financeiras, também eu iria com as minhas jovens netas a Utoya colocar uma flor em memória deles.

Há que ter cuidado, pois parece que o assassino, não sei a que propósito, também identificou 11 mil pessoas em Portugal para matar! Quem, não sei.

Não esqueçamos que a América esteve à beira de uma nova tragédia. Ainda bem que o suicida foi descoberto a tempo. Enfim, é o que temos!

Basílio de Oliveira