Alberto Souto foi o primeiro homenageado Alberto Augusto Simões Souto Ratola, ou simplesmente Alberto Souto, foi o primeiro homenageado no ciclo de conferências “Aveirenses ilustres”, que a Câmara Municipal de Aveiro vai realizar até 2009, ano em que se comemoram os 250 anos de elevação de Aveiro à categoria de cidade.
O vereador da Cultura da autarquia aveirense, Miguel Capão Filipe, justificou este evento dizendo que “as pessoas são a nossa referência. As pessoas são o maior trunfo de Aveiro. As pessoas fizeram de Aveiro aquilo que ela hoje é”. Por isso, quinzenalmente, irá decorrer uma conferência deste primeiro ciclo, ao qual se seguirão, nos próximos dois anos, outros ciclos de conferências sobre “aveirenses ilustres”.
Paulo Catarino de Miranda, genro de Alberto Souto, que estava acompanhado pela filha do homenageado, “socorrendo-se da memória”, referiu algumas das suas vivências pessoais com Alberto Souto, destacando que “Alberto Souto era simples como uma criança, era sábio como uma enciclopédia, era religioso como um franciscano. Se há santos na vida, ele também era um santo”. Sobre este último facto, revelou que Alberto Souto era bastante religioso e tinha uma grande admiração por S. Francisco de Assis.
Luís Manuel Souto de Miranda, neto do homenageado e autor da biografia de Alberto Souto, obra editada pela autarquia aveirense em 1994 (primeiro volume), foi o conferencista convidado, que começou por apresentar a “árvore genealógica” dos Soutos, desde a sua origem em terras de Águeda, passando depois pela sua permanência em Angeja, até à sua fixação em Aveiro, referindo ainda os Soutos que se fixaram na zona de Braga e que deram origem à conhecida família Souto Moura.
Alberto Souto nasceu no Bonsucesso, no dia 23 de Julho de 1888. Muito cedo ingressou nos movimentos estudantis republicanos. Com apenas 17 anos, então estudante no Liceu de Aveiro, era já uma figura de republicanismo aveirense, tendo-se oposto firmemente à ditadura franquista que vingou no final da monarquia. No entanto, ainda durante a primeira república, acabou por ficar desiludido com a política partidária, passando a dedicar mais tempo às suas outras áreas de interesse.
Passada a “fase da política partidária”, Alberto Souto embrenhou-se em diversas áreas da cultura, entre as quais a história, com especial destaque para a arqueologia, tendo feito escavações em diversos locais da região e publicado vários textos. Dedicou-se ainda à museologia, tendo desempenhado relevante acção no Museu de Aveiro, do qual foi director durante vários anos e no qual criou a Secção de Arqueologia Pré-histórica e Proto-histórica. A geologia, a biologia e a fotografia foram outras áreas do seu interesse. Na política, exerceu diversos cargos, entre os quais o de deputado, tendo sido o segundo deputado mais jovem na Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição, após a proclamação da república, e o de presidente da Câmara Municipal de Aveiro. Este último cargo exerceu-o no período de 1957,quando foi nomeado, por indicação do então governador civil de Aveiro, Francisco Vale Guimarães, até 1961, data da sua morte.
Próximas conferências
O ciclo de conferências “Aveirense ilustres” prossegue no dia 29 de Outubro, com a homenagem a António Gomes da Rocha Madahil, por Luís Filipe Camejo (às 18h30, no Auditório do Museu da Cidade, junto ao Rossio). Seguindo-se depois José Estêvão Coelho de Magalhães, por José Tengarrinha; Mário Duarte, por Manuel Alegre; Antónia Rodrigues, por Regina Tavares da Silva; José Augusto Pinto Basto e Gustavo Ferreira Pinto Basto, pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal; Padre Fernando de Oliveira, por António Manuel F. da Silva Ribeiro; Princesa Santa Joana e Infante D. Pedro, por Saul António Gomes; João Afonso de Aveiro, por João Paulo Oliveira e Costa; João Jacinto de Magalhães, por Isabel Malaquias; José Luciano de Castro, por Fernando José Grave Moreira; Lourenço Simões Peixinho, por Rosa Maria Oliveira; Luís Gomes de Carvalho e Von Haff, por José Rodrigues Pereira; Vale de Guimarães, por Gaspar Albino e Gilberto Nunes.
