Dizia Voltaire: “Uma falsa ciência cria ateus; uma verdadeira ciência prostra o homem perante a divindade”. Fosse com sinceridade ou com viperino veneno, certo é que afirmou uma grande verdade. Andamos avassalados por pseudo-ciência e pseudo-cientistas – basta que se diga que está “cientificamente comprovado”, para ganhar todo o crédito na praça pública – a semear a hesitação e a descrença.
A Igreja tem provas dadas, muito para além dos naturais erros que sempre se cometem, de contribuir com homens de ciência, de construir saber científico – nas ciências positivas, nas ciências humanas, desde a psicologia à filosofia, na teologia…
E, quando todos os saberes têm a humildade de acreditar nas suas potencialidades, mas aceitarem também os seus limites, acolhendo ao mesmo tempo a capacidade de outros saberes, mesmo com os seus limites, todos saem enriquecidos. Ao invés, quando o orgulho afirma a exclusividade de um saber, sobretudo nas ciências positivas, facilmente se desagua numa consequente tecnologia fria, desumanizada e desumanizante.
Darwin não demonstrou o evolucionismo. Colocou uma hipótese, construiu uma teoria, que tem vindo a ser creditada com avanços científicos. Mas, daí até concluir que foi um processo aleatório, retirando à história da humanidade qualquer sentido humano que não seja o que a própria humanidade lhe queira ou consiga dar em certo momento, vai uma distância abissal.
Pretender dispensar um intervenção divina neste processo de transformação ultrapassa o âmbito das ciências positivas, porque também é ciência o esforço concertado e construído de procurar o sentido dos fenómenos, numa teia lógica de reflexões transmissíveis. Portanto, não empobreçamos a capacidade humana reduzindo-a a evidências empíricas. Nesse caso, aprofundar o criacionismo ou o “desígnio inteligente” parece não poder proibir-se, nem sequer lançar-se sob suspeita.
Estarmos atentos e abertos às aquisições de cada área das ciências, incluindo a filosófica e a teológica, só pode contribuir para um enriquecimento maior da humanidade. Ao contrário do fundamentalismo “científico” ou do preconceito filosófico. Conceber a pesquisa humana como esgotada foi o desastre de todas as épocas que se apresentaram como o vértice crescente da humanidade!
É verdade: a falsa ciência milita para escorraçar Deus do tecido da história humana. Mas há muita ciência honesta, que O reconhece como um “parceiro” indispensável no caminhar da humanidade para uma complexificação de plenitude.
