Civismo

Ponta de Lança Há alguns tempos as pessoas reuniam-se, mais ou menos por famílias, e iam para todo o lado para fruírem dos espaços, da natureza, dos espectáculos que a natureza, incluindo a humana, disponibilizavam a troco de nada ou de muito pouco. Também era assim com os acontecimentos desportivos e com todas as manifestações de massas, de grupo. Entretanto, em nome de liberdades, de direitos, de garantias, etc., algo de estranho foi aparecendo no seio desses encontros: o vandalismo, o holiganismo, etc. Até que as famílias abandonaram a rua, os espaços verdes, os espectáculos. Apenas podem usufruir os mais fortes, os gregários ou quem se faz acompanhar por qualquer uma das espécies anteriores! Os da mesma espécie perderam a noção do bando, do grupo… acabou o civismo! Mais um ismo nas categorias sociais!?

Nunca como agora houve tanto ensino de civismo (formação cívica, até!). Nunca como agora se constata tanta falta de civismo.

Aveiro, com todas as suas envolvências regionais, ficou em estado de estupefacção com os acontecimentos recentes, inerentes ao civismo da comunidade e dos cidadãos. A notícia abala qualquer um: um companheiro da nossa caminhada, um colega, um pai, um marido,… uma pessoa é agredida! E ninguém faz nada. Porquê? Porque nada podiam fazer ou porque até os mais próximos já temem tal proximidade, estar à hora errada em local errado?!

Por ser tão próximo, sentimo-nos todos interpelados a repelir tais actos. Mas… por que é que ninguém fez nada?

A civilização, tal como a conhecemos, entrou no processo de segregação natural? Não há lugar para o humano entre nós?

No fundo, nem por simples desportivismo olhamos para o nosso próximo, mesmo quando este perece – é – aniquilado!

Enfim, somos cúmplices de tais atrocidades! Somos cúmplices por permitirmos que a humanidade se extinga às mãos da barbárie!

E aí está a nossa derrota! Nem para nos protegermos temos coragem!

Desportivamente… pelo desporto!