“Há ministérios em que a despesa não pode ser vista como tal porque são investimentos cruciais” para as pessoas.
Os líderes da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade e da Cáritas Portuguesa não se conformam com os cortes que o Governo se prepara para efectuar nos sectores da Saúde, Educação e Acção Social.
“Olhando para as classes média e baixa, que têm sido as mais atingidas pelas medidas de austeridade, eu já não sei que mais cortes se poderão fazer”, critica o presidente da Cáritas, em entrevista concedida à Agência Ecclesia.
Eugénio Fonseca “aceita que se tenha de racionalizar recursos”, mas entende que “o Governo deveria ir ao encontro daquilo que prometeu, mexendo na máquina do Estado em vez de pôr em causa os direitos básicos das pessoas”. “Há ministérios em que a despesa não pode ser vista como tal porque são efectivamente investimentos cruciais para que as pessoas possam ter qualidade de vida”, realça.
O Estado pretende encaixar cerca de 1 milhão e quinhentos mil euros, de forma a equilibrar as contas através de medidas como a redução de custos nos hospitais, um acesso mais criterioso a prestações sociais e a supressão de ofertas não essenciais no Ensino Básico, podendo incluir actividades extracurriculares.
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), lamenta que “os cortes sejam sempre do mesmo género e para os mesmos lados”. “Julgo que ainda há bastantes gorduras no aparelho do Estado e devia ser por aí que se devia começar a cortar, para dar um sinal de empenho e de futuro”, salienta.
“A continuarmos a este ritmo, iremos ter problemas sérios porque as pessoas já estão totalmente desorientadas e não sabem aonde ir procurar apoios complementares”, acrescenta o presidente da Cáritas, avisando ainda que “as instituições de solidariedade social estão também a esgotar os seus recursos”.
Eugénio Fonseca lamenta que “as entidades internacionais que compõem a «troika» se tenham limitado até agora a ouvir o sector financeiro”, na implementação de políticas contra a crise, “não se abeirando do sector social para perceber as implicações das medidas propostas”.
“Amanhã vamos ter a dívida paga mas vamos ter um país triste, sem esperança, com as pessoas totalmente desmotivadas”, conclui.
