Co0municação social mostra imagens desfocadas da realizada imigrante

Os média têm, por vezes, uma imagem redutora da Igreja

A comunicação social tem da Igreja, por vezes, uma imagem redutora, porque moralizante, assisten-cialista e refém de lugares-comuns. Urge testemunhar, na globalidade de compromissos, diferenças éticas e estéticas que permitam perceber o libertador ‘silêncio de Deus’ por entre ruídos da comunicação e clamores do mundo migrante.” Este foi o último ponto das conclusões que saíram do IV Encontro Nacional de Apoio Social ao Imigrante, que decorreu em Fátima, de 16 a 18 deste mês, por iniciativa da Agência Ecclesia, Cáritas Portuguesa e Obra Católica Portuguesa de Migrações. Presidiram a este Encontro D. Aurélio Granada Escudeiro, vogal da Comissão Episcopal da Acção Social e Caritativa, e D. Januário Torgal Ferreira, presidente da Comissão Episcopal de Migrações e Turismo.

Cerca de 70 participantes, um pouco de todo o País, reflectiram o tema “Imigração e Comunicação Social: que imagens?”, numa perspectiva de encontrar soluções que conduzam a uma melhor integração das centenas de milhares de imigrantes que procuraram Portugal em busca de mais dignas condições de vida, sendo certo que os média podem e devem desempenhar um papel importante nessa tarefa tão humanitária e cristã.

Reconheceu-se que todas as dioceses estão comprometidas com o trabalho de acolhimento e promoção integral dos imigrantes e suas famílias, mas também se descobriu que no último ano diminuiu a procura dos serviços que a Igreja presta aos estrangeiros, “o que nos deverá interrogar”. Assim, urge encontrar novas metodologias e disponibilidades para se ir ao encontro das suas reais necessidades, nomeadamente “formando redes consistentes de apoio social”.

Porque se concluiu que há dificuldades na relação da Igreja com os meios de comunicação social, avançou-se com a proposta de os média encontrarem o profissionalismo necessário para estarem presentes, “sem medo, com verdade, transparência e eficácia”, na abordagem da problemática da imigração, devendo confiar-se aos leigos “o construir pontes e abrir caminhos como transmissores dos valores éticos e sociais do Evangelho”.

As conclusões deste Encontro denunciaram episódios “que estigmatizam a imigração, provenientes de imagens desfocadas e de narrativas distorcidas ou seleccionadas”, pelo que se avançou com a ideia de que a comunicação deve ser objectiva, não tomando a parte pelo todo.

Entretanto, todos sentiram que, para o bem e para o mal, “a imigração é uma realidade mediática”, numa Europa que oscila “entre o amor e o ódio, aceitação e rejeição”. Desejando a população imigrante para a sua sobrevivência económica e demográfica, os europeus aceitam, no entanto, “a sua exploração e marginalização no mundo laboral e na sociedade”.

Mas se os média por vezes apresentam imagens desfocadas da realidade imigrante, também é verdade que se têm revelado parceiros fundamentais na divulgação das culturas, nas denúncias das injustiças e na integração social e religiosa das diferentes comunidades. Contudo, concluiu-se, ainda, que é preciso adequar os ritmos e os mecanismos das instituições eclesiais, para mais eficazmente se responder ao desafio de colaborar na integração e no apoio aos estrangeiros que trabalham e vivem entre nós.