Dia Internacional das Zonas Húmidas O concelho de Águeda acolheu as comemorações nacionais do 37º aniversário da assinatura da Convenção de Ramsar para a Protecção das Zonas Húmidas, do 10º aniversário do início das comemorações em Portugal e do Dia Internacional das Zonas Húmidas, datas que se assinalam anualmente no dia 2 de Fevereiro.
As comemorações coincidiram com a visita guiada às margens da Pateira, em Espinhel e em Óis da Ribeira, realizada no âmbito de um Encontro sobre Zonas Húmidas, promovido pela Câmara Municipal de Águeda, em parceria com a Universidade de Aveiro e a ADERAV – Associação para o Estudo e Defesa do Património Natural e Cultural da Região de Aveiro.
A realização desse encontro sobre zonas húmidas surgiu no seguimento da intervenção ambiental que está a decorrer na Pateira de Fermentelos, considerada como a maior lagoa natural da Península Ibérica, e que está incluída na Rede Natura. A partir de um problema, que eram os jacintos-de-água, nasceu a oportunidade de iniciar um trabalho de gestão sustentável e de manutenção da salubridade daquela lagoa.
Para o presidente da Câmara Municipal de Águeda, Gil Nadais, o encontro foi um “importante momento de reflexão acerca daquilo que fizemos e acerca daquilo que quereremos fazer no futuro” na Pateira.
O encontro contou com a participação de investigadores de renome em temáticas ambientais, como os professores Carlos Borrego (Departamento de Ambiente e Ordenamento / Universidade de Aveiro), Jorge Paiva (Fundação para a Ciência e Tecnologia / Universidade de Coimbra) e João Mora Porteiro (Universidade dos Açores), e ainda José Pedro Soares (Royal Society for the Protection of Birds) e Maria João Burnay (directora do Departamento de Zonas Húmidas do ICNB – Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade).
Aveiro fora da rede de sítios Ramsar
A Convenção sobre Zonas Húmidas foi assinada no dia 2 de Fevereiro de 1971, na cidade iraniana de Ramsar, facto pelo que passou a ser conhecida por Convenção de Ramsar. Até à presente data, a convenção já foi assinada por 158 países. Portugal ratificou a convenção em 9 de Outubro de 1980, tendo entrado em vigor no nosso país em 24 de Março de 1981.
Neste momento, em todo o mundo estão classificados 1717 sítios Ramsar, ou seja, zonas húmidas de importância internacional. Desses sítios, 17 são portugueses, cinco dos quais estão ainda em processo de classificação internacional.
Os dois primeiros sítios portugueses incluídos na Convenção Ramsar foram o Estuário do Tejo e a Ria Formosa. Em 1996, Portugal conseguiu a inclusão de mais oito sítios: Paul de Arzila, Paul de Madriz, Paul de Boquilobo, Lagoa de Albufeira, Estuário do Sado, Lagoas de Santo André e Sancha, Ria do Alvor e Sapais de Castro Marim. A lista de sítios portugueses Ramsar voltou a ser ampliada no ano de 2001, com a inclusão do Paul da Tornada e do Paul do Taipal. Em 2005, Portugal propôs a inclusão de mais cinco sítios, os quais ainda estão a aguardar a devida classificação, e que são: Planalto superior da Serra da Estrela e parte superior do rio Zêzere, Polje de Mira Minde e nascentes relacionadas, Lagoas de Bertiandos e de S. Pedro de Arcos, Estuário do Mondego e Fajãs das lagoas da Caldeira de Santo Cristo e de Cubres.
Até ao momento, as principais zonas húmidas da região de Aveiro (Ria de Aveiro, Pateria de Fermentelos, Barrinha de Esmoriz e rio Vouga) permanecem fora da rede de sítios Ramsar, ainda que possam estar abrangidas por outras medidas legais de protecção, nomeadamente como Zonas de Protecção Especial ou por integrarem a Rede Natura.
C.F.
