Como Bento XVI está a conquistar a Igreja

LIVRO “Um Papa (in)esperado” começa com uma confissão em que, certamente, muitos católicos se revêem. “No conclave que se iniciou a 9 de Abril de 2005, o Cardeal Joseph Ratzinger não era a minha opção”, escreve António Marujo. Para o jornalista que trata a informação religiosa no jornal Público, parecia natural que a escolha incidisse num cardeal da América Latina, onde vivem 500 milhões dos 1100 milhões de católicos que o mundo tem. Na mesma linha ia a sensibilidade de D. António Marcelino numa entrevista ao Correio do Vouga, em Fevereiro de 2006, quando João Paulo II começava a dar sinais claros de que os seus dias estavam a terminar.

Um ano após a eleição, António Marujo releu os textos de Bento XVI, seguiu os seus passos e reviu o passado recente de Joseph Ratzinger, principalmente enquanto cardeal, para nos oferecer uma obra atenta sobre o sucessor de Pedro e a Igreja pós-João Paulo II. “A Igreja Católica não se reduz à personalidade [do Papa], por mais forte que seja”, mas também não se compreende, pelo menos na corrente católica, sem uma referência constante ao primado de Pedro.

A surpresa do nome escolhido por Joseph Ratzinger, a tónica posta no ecumenismo e no diálogo inter-religioso, a viagem à Alemanha, a primeira encíclica papal ou “uma agenda para um pontificado” são alguns dos assuntos dos 10 capítulos que compõem a obra e que levam a concluir que o “(in)esperado” do título talvez se refira mais à acção do primeiro ano de pontificado do que à escolha de Ratzinger pelo conclave.

Sobre os próximos anos, “é prematuro, sem dúvida, tentar adivinhar o que o Papa fará” – escreve na introdução. “Esse exercício seria, aliás, pouco adequado. Mas é possível, a partir do que foi este ano, tentar perscrutar o que pode ser este pontificado”. Possível e aliciante, como mostra a obra, graficamente muito agradável.

O autor

António Marujo, jornalista do diário Público desde a fundação, em1989, publicou “Vidas de Deus na Terra dos Homens” (sobre a vida monástica, ed. Círculo de Leitores), “Igreja e Democracia”, (entrevista ao Patriarca de Lisboa em co-autoria com Jorge Wemans, ed. Multinova) e coordenou a obra de depoimentos sobre João Paulo II “Um Papa entre dois séculos” (ed. Livros do Brasil). No dia 6 de Julho, o jornalista do Público recebe em Lisboa o prémio de “jornalista religioso do ano” na Europa, atribuído pela fundação norte-americana John Templeton.

Um Papa (in)esperado

António Marujo

Paulus

96 páginas