Livro Com a experiência de quem tem sob as suas ordens quase trezentos colaboradores, o monge beneditino Anselm Grün mostra como a vida numa empresa, por vezes em conflito com a vida privada, é uma oportunidade de crescimento espiritual.
Pode um monge ter algo a dizer sobre a vida e o trabalho, a gestão e a tomada de decisões, os conflitos entre colegas de empresa e a concorrência, a contratação e despedimento de trabalhadores? Aparentemente, não. Associamos a vida monástica ao silêncio dos claustros, ao trabalho recatado, à oração, não ao stress, à pressão, à concorrência, aos prazos apertados.
Porém, para Anselm Grün, o mundo das empresas não tem grandes segredos. Monge beneditino, é responsável, desde há 28 anos, pelos vinte serviços, com 280 colaboradores, da Abadia de Münsterschwarzach. O autor cristão de língua alemã mais lido é monge e gestor, portanto.
O livro “A vida e o trabalho. Um desafio espiritual”, destina-se, segundo as palavras do autor, “aos que procuram uma orientação espiritual, mas não sabem bem como a espiritualidade os pode ajudar a superar os desafios diários da sua profissão e a fortalecer sua posição de chefia”. “Essas pessoas gostariam de integrar a espiritualidade nas suas vidas, mas não descobriram ainda a forma adequada de o fazer. Este livro vai ajudá-las a conciliar a espiritualidade com a vida profissional”, afirma Anselm Grün. “Não se trata de uma fuga aos desafios que a profissão nos coloca, mas sim uma fonte de energia que permite a cada um viver a sua vida profissional sem perder a autenticidade” (pág. 8).
Anselm Grün é formado em Economia e doutorado em Teologia. Diz-se na contracapa da presente obra que, para liderar pessoas, o monge se inspira na Bíblia, nos Padres do Deserto (cristãos que individualmente ou em comunidade se isolaram nos desertos do Médio Oriente e do Norte de África, por volta dos sécs. III-IV, dando origem ao monaquismo), na Regra de S. Bento de Núrsia e na Psicologia moderna.
Este livro divide-se em quatro partes. Na primeira, “Sentimento e Percepção”, o autor aborda o quotidiano das chefias, feito de pressão e medos, preocupações e frustração, falta de tempo e sentimentos de culpa. Na segunda parte, “Assumir responsabilidade e tomar decisões”, fala-se do sucesso e do fracasso, dos conflitos, da concorrência, do despedimento de colaboradores (“uma medida pobre em imaginação”, porque “existem outras formas de levar a empresa a sair de um período difícil”). Na terceira parte, o autor ensaia uma vivência da espiritualidade cristã no meio laboral, dando destaque ao equilíbrio entre trabalho e vida privada e à relação entre pais e filhos.
Na última parte, o autor confessa que assumiu a responsabilidade pelas finanças do mosteiro por obediência (“não fui eu que escolhi a função”) e a encara como “grande desafio espiritual”, abrindo de par em par a sua alma: “A liderança põe-me radicalmente em confronto comigo mesmo: conheço-me com todos os meus lados negros. Aquele que se entrega sinceramente à função de chefe sente que a moralização lhe passa ao lado. Apercebe-se de que carrega em si mesmo todas as tendências que gostaria de julgar nas outras pessoas; a tendência para a mentira, para a fraude, para a injustiça, para a dureza, para a inveja. É preciso ter humildade para observarmos e nos apercebermos de todas estas tendências da alma, mesmo sem as vivermos. Através desta humildade torno-me também mais misericordioso em relação às outras pessoas. Não me coloco acima delas, mas compreendo-as nos seus erros e nas suas fraquezas, nas estratégias que usam para obter os seus benefícios”.
Grande testemunho. Grande livro de gestão, principalmente dos recursos humanos. Grande livro de espiritualidade em acção na empresa. J.P.F.
A vida e o trabalho.
Um desafio espiritual
Anselm Grün
Paulinas
178 páginas
