Como defender a vida na sua origem e nos seus limites?

Palestra No passado dia 20 de Março, no Espaço Inovação, o Grupo de Jovens de Oliveira do Bairro organizou uma conferência dedicada ao tema da Dignidade da Vida Humana, para a qual convidou o Professor Doutor Daniel Serrão, que falou sobre o valor da vida, o bem mais precioso que cada um de nós tem. Neste espaço de conferência participaram alguns jovens e adultos do concelho, incluindo o Presidente da Câmara de Oliveira do Bairro. Foi um momento único que captou a atenção e interesse de todos.

Daniel Serrão é Professor de Ética Médica na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, membro do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, membro da Academia Pontifícia para a Vida da Santa Sé e um defensor do valor e da dignidade da vida humana. Além disso, o Professor já participou em diversos debates sobre a questão do aborto e da eutanásia, defendendo sempre a vida. Foi também sobre estes temas fracturantes que ele nos foi falar.

O palestrante começou por explicar o que é a eutanásia e o que não é! De acordo com professor, para existir eutanásia é necessário haver um pedido consciente e lúcido do paciente, bem como uma resposta afirmativa do médico. É preciso estas duas vontades estarem de acordo. Além disso, frisou que há três razões pelas quais uma pessoa tende a pedir a eutanásia. A primeira, a dor física, a qual pode ser contornada através de fármacos ou mesmo intervindo no tecido neuronal, nas células responsáveis pela sensação de dor. A segunda, o sofrimento psíquico, que pode ser provocado pelo luto antecipado da morte já anunciada, ou seja, uma pessoa saber que vai morrer dentro de um certo período de tempo, por motivo de doença incurável. Nesta situação há terapêuticas e abordagens que permitem à pessoa lidar melhor com a sua realidade. A terceira é o que o Prof. Daniel chamou de “esgotamento da vontade de viver”, em que a pessoa tem um funcionamento cerebral dentro do normal, mas porque as condições físicas da pessoa mudaram repentinamente, como pode ser o caso da tetraplegia, isto é, paralisia dos membros inferiores e superiores, o sentido de vida aparentemente deixou de existir, levando a grandes frustrações. É possível lidar melhor com esta situação criando um projecto de vida alternativo, dedicando-se, por exemplo, à prática de uma profissão ou de um desporto adaptado. Foi, por isso, enfatizada, a necessidade de escutar a pessoa, o motivo que a faz fazer esse pedido, que nunca é feito de ânimo leve, responsabilizando o médico a combater a causa do sofrimento físico ou psíquico que leva o doente a fazer tal pedido, promovendo assim a uma melhor qualidade de vida da pessoa que sofre.

Portugal fez xeque-mate à vida humana desde a aprovação da Lei do Aborto em referendo, no ano de 2007, no qual mais de 50% dos Portugueses não votaram, por não valorizarem suficientemente esta questão. O Professor referiu que o aborto é um atentado à vida humana. A vida começa quando duas células vivas (o óvulo e o espermatozóide) se juntam. Forma-se logo ali um novo ser vivo, com o mesmo direito à vida que todos temos e tivemos. Além disso, recordou à audiência que cada um de nós já foi assim, um pequeno conjunto de células que se foi transformando e a quem concederam o direito à vida.

O Professor chamou a atenção para o facto de o aborto em Portugal ser uma decisão que apenas cabe à mãe, não concedendo ao pai iguais direitos quanto ao dar uma palavra sobre o futuro do seu filho. Daniel Serrão reitera que aquela vida foi formada a partir de duas pessoas, por isso as duas são responsáveis pela mesma.

A palestra um momento único, cheio de simplicidade e conteúdo ético, que captou a atenção e interesse de todos.

Ana G. e Milton

Grupo Jovens C.R.E.R., Oliveira do Bairro