Dias Positivos Gosto muito das “histórias de Napoleão”, aqueles ditos, casos e anedotas que podem não se ter passado com o imperador francês, mas que comportam sempre algum ensinamento. Esta que se segue, por exemplo, com foros de credibilidade, diz muito da sociedade mediática em que vivemos. Basta substituir “jornal” por “televisão” e ter uma ideia de como os meios se submetem aos poderosos e às correntes, como mudam de perspectiva consoante o poder, como se deixam levar e contribuem para o “estado de graça”.
Cá vai a história: Quando Napoleão deixou a ilha de Elba, para onde tinha sido deportado, um jornal escreveu num local secundário: “A abominável besta abandonou o seu buraco asqueroso”. Quando desembarcou em França, o título já era outro: “O bandido da Córsega está em França”. Quando chega a Grenoble, a notícia dizia: “Bonaparte dirige-se para Paris”. Passados uns dias, a notícia já era: “Amanhã entrará triunfalmente em Paris o Imperador da França”. No dia seguinte, o jornal estampou na primeira página: “Como era nosso desejo, sua majestade real e imperial chegou à capital”.
Os meios de comunicação são indispensáveis, mas é preciso uma saudável desconfiança, ainda que já ninguém dê uma notícia começando por “Como era nosso desejo…”
J.P.F.
