Como não ser vencido

À Luz da Palavra – 1º Domingo da Quaresma – Ano C Com este primeiro domingo da Quaresma, iniciamos o ciclo pascal, que nos conduz até ao Pentecostes. Hoje, a liturgia convida-nos a confessar a nossa fé em Deus, nosso Senhor. É Ele que conduz a história humana e a nossa história pessoal, de modo a reconduzir-nos ao coração do seu projecto salvador. A primeira e a segunda leituras evocam os acontecimentos fundamentais da História da Salvação, cujo centro celebramos na Páscoa, e apresentam-nos a profissão de fé dos judeus e dos cristãos, respectivamente. O evangelho, como em todos os primeiros domingos da Quaresma, expõe o episódio das tentações de Jesus.

Na primeira leitura, Moisés recomenda ao povo que a apresentação dos dons diante do Senhor seja acompanhada pela profissão de fé no memorial do acontecimento fundador do Antigo Testamento, a saber, as maravilhas que Deus operou a favor da libertação do seu povo da escravidão do Egipto. O texto convida-nos a fazer memorial ou recordar com fé os benefícios de Deus para connosco, sendo agradecidos. É na repetição deste memorial que vamos beneficiando da salvação que Deus nos oferece e nos capacitamos para entregar a Deus as nossas ofertas, ao mesmo tempo que lhe pedimos os seus favores. Tenho o hábito de recordar e agradecer as maravilhas que Deus realiza em mim e na história?

Na segunda leitura, Paulo afirma que o essencial da fé cristã é confessar com a boca que Jesus é o Senhor e acreditar no coração que Deus o ressuscitou dos mortos. Isto é, Paulo recomenda que a confissão de fé em Jesus Cristo seja pessoal e brote do coração, mas que seja também comunitária, proclamada com a boca. A fé impregna a minha existência? Confesso-a com o coração e com a boca? Participo na assembleia cristã dominical como um direito e um dever que me assiste?

O evangelho narra-nos que Jesus, após o seu baptismo, foi conduzido ao deserto, pelo Espírito Santo, para ser tentado. Lucas parece evocar as tentações humanas de todos os tempos, antes e depois de Jesus, até às tentações dos nossos dias: a tentação do poder, do dinheiro e do amor-próprio. Todos nós estamos submetidos a estas mesmas tentações. A capacidade de as vencer ou de sair vencido por elas, depende do nível da nossa fé cristã, isto é, se a nossa vida está ou não sob a acção do Espírito Santo, como a de Jesus. O texto interpela-nos, fortemente, sobre o modo como estamos a superar as nossas tentações. Jesus venceu a sedução do diabo, que o queria impedir de realizar a missão que o Pai lhe confiara, com humildade e espírito de serviço, até à morte de cruz, usando a Palavra de Deus, a oração e o jejum. “Está escrito”, respondia Jesus, sem hesitar, a cada uma das tentações. E eu? Que respondo ao tentador e como reajo às múltiplas tentações que me assaltam no meu dia a dia? Este tempo convida-me a aprofundar a minha fé, através da leitura e da oração da Palavra de Deus, do jejum e da caridade, sobretudo a favor dos mais necessitados.

I Domingo da Quaresma – Ano C: Dt 26,4-10; Sl 90 (91); Rm 10,8-13; Lc 4,1-13

Deolinda Serralheiro