Os bispos portugueses promoveram no dia 15 de Maio o simpósio “Reinventar a Solidariedade (em tempo de crise)”. Pretendeu-se “debater premissas, ideias e iniciativas que possam contribuir para um modelo de desenvolvimento mais humano e solidário”. O Correio do Vouga leu atentamente as notícias que saíram do simpósio na Agência Ecclesia e na imprensa diária (poucas) e apresenta as principais ideias. O simpósio queria “reconhecer, inspirar, mobilizar”. Conseguiu?
Valorização das pessoas “desocupadas, promovendo os recursos humanos disponíveis”, sem esquecer “o saber dos reformados”. Recuperar a sobriedade, “largando o que não é essencial”, permite prestar atenção aos mais necessitados e estimular relações de proximidade. Promover a entreajuda na vizinhança, sintoma do quanto “as pessoas querem combater o isolacionismo”.
“A crise é também política, civilizacional e espiritual”. “Procuremos soluções estruturais para problemas estruturais”, disse Joana Rigato, vice-presidente da CNJP. A “solidariedade não pode ser assistencialista” e deve ter em conta a dimensão da sustentabilidade, nas suas várias dimensões – económica social, ambiental e cultural.
Para o futuro, o Arcebispo de Braga indica o projecto de elaborar um “elenco daquilo que é possível” fazer, naquilo que diz respeito à Igreja, em particular nas suas comunidades e associações. D. Jorge Ortiga afirma que é importante que os grupos paroquiais tenham “maior consistência e capacidade de resposta”, até porque a palavra “paróquia” tem origem na ideia de proximidade.
A revalorização do terreno agrícola vai ao encontro da preocupação de várias pessoas. “Revalorizar a agricultura, propondo uma dinâmica escolar ou catequética para uma “sementeira prática”.
Sugestões de Teresa Paiva Couceiro, presidente da Fundação Gonçalo da Silveira: “Usar apenas o essencial e com o resto, organizar vendas solidárias, cujo fundo reverte para os moradores do meu condomínio que têm dificuldade em pagar renda, a escola dos filhos e material escolar”; as famílias com maior disponibilidade “podem adoptar a pobreza de outra família com menos possibilidades” e “dar um subsídio mensal aos mais desfavorecidos”; rentabilizar os funcionários nas empresas “para que possam ajudar em instituições sociais e estimularem o voluntariado”; de forma a combater o descrédito nos projectos de solidariedade “criar campanhas, através de vales, de medicamentos, por exemplo, para ter a certeza que as ajudas chegam ao local certo”; criar parcerias entre empresas e Estado para “criar quiosques que podem promover Portugal e estimular o comércio tradicional”.
D. Carlos Azevedo, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, pediu que haja um grupo em cada comunidade cristã que “dinamize a dimensão social”. O problema não é só do governo e do mercado, mas também da sociedade civil. “As pessoas devem pensar nos interesses nacionais e é altura do amor à pátria se concretizar em opções de coesão social”.
“Chamar à responsabilidade aqueles que faltaram aos compromissos”; “fomentar a participação das pessoas” e “permitir o acesso” às várias oportunidades. “A responsabilidade é de todos”, afirma Pedro Krupenski, director executivo da Amnistia Internacional Portugal.
Aumentar os gastos com as despesas sociais “em programas específicos” e melhorar a eficiência dos gastos nessas mesmas despesas sociais porque “o dinheiro é gasto mas não tem impacto”, referiu Marina Costa Lobo, politóloga. A sociedade civil “deve ajudar o Estado a aumentar os gastos socais e a ser mais eficiente”, participando activamente na formulação de políticas. “A Igreja deve ser mais activa na definição das políticas sociais e aumentar a responsabilização do Governo neste domínio”.
“Queremos resolver a «crise» ou queremos também «escutar» a crise? É que do fundo do seu drama pode estar a surgir a voz que desafia todos, pessoas e estruturas, a porem-se a caminho, mudando em favor do homem, renovando-se em nome da família humana”, afirms o Cardeal-patriarca de Lisboa.
Feiras solidárias com material doado e reciclado. Projectos do Banco do tempo e dos bens usados são o reforço à participação solidária a potenciar.
O Simpósio propôs-se seleccionar algumas ideias e dirigi-las aos órgãos de soberania, nomeando uma equipa para elaborar petição.
