1 – A Comunicação Social tem “vendido” Estado Social a torto e a direito, sem grande preocupação de nos informar o que isso seja ou o que está em causa, quando se fala de refundar, reformar, destruir… o Estado Social.
A mim tanto se me dá que seja estado social ou estado liberal! O Estado é depois da pessoa humana e para o seu serviço. Nunca antes dela! Muito menos para a menosprezar e menos ainda para a amarfanhar ou dela se servir.
Novos estilos de vida é que são necessários. O que significa que pessoas e estruturas terão de se reger por outros princípios diferentes daqueles que vigoram na linguagem e nos hábitos práticos dos cidadãos e dos responsáveis da coisa pública. Deem as voltas que derem, só esse caminho debelará crises e devolverá a paz social. Concertem-se, por isso, governantes e governados, se queremos erguer a cabeça e reencontrar caminhos de futuro!
“Deus deu plena autonomia à sua criação e, neste sentido, Ele não «se ocupou» da repartição equitativa dos bens da terra, mas preocupou-se deixando-nos de modo claro a sua vontade sobre eles”. E essa vontade é que eles sirvam todas as pessoas de forma equitativa. O destino dos bens é universal!
Em consonância com esta vontade, os Padres da Igreja não se cansaram de proclamar que, satisfeitas as necessidades pessoais, o que fica amealhado pertence aos que não têm. O destino universal dos bens da terra é prévio o direito de propriedade privada! E, se a glória de Deus é o bem do homem, ninguém pode servir a dois senhores absolutos: a ganância da posse individual e o bem da pessoa humana e de todas as pessoas.
Não diria melhor que Gonzalez-Faus, teólogo e biblista, citando a poetisa Adélia Prado: “Moro num lugar chamado globo terrestre,/ onde se chora mais/ que o volume das águas denominadas mar;/para onde levam os rios outro tanto de lágrimas./ Aqui se passa fome. Aqui se odeia”. E concluindo: “Lágrimas, fome e ódio. É o balanço que podemos fazer do nosso futuro, se fecharmos os olhos e os ouvidos ao ensinamento de Jesus sobre o Dinheiro”. Abrir os olhos e os ouvidos a esse ensinamento trata os novos estilos de vida!
2 – Os falsos dogmas pululam na comunicação social, como míscaros em turfa e humidade! Agora é o “novo presépio” nascido do livro do Papa: “Jesus de Nazaré, A Infância de Jesus”. Porque Bento XVI retirou a o boi e o burro do Presépio…
O que o Santo Padre faz é um estudo, simples mas sério, sobre os textos evangélicos da infância de Jesus e, neste caso, sobre o Seu nascimento. Quanto ao lugar, refere que a manjedoura sugere a presença de animais, que buscam aí o seu alimento. Acrescenta que os evangelhos não referem a presença de animais na gruta. Todavia, “a meditação guiada pela fé, lendo o Antigo e o Novo Testamento correlacionados, não tardou a preencher essa lacuna, reportando-se a Isaías 1,3: «O boi conhece o seu dono, e o jumento o estábulo do seu senhor; mas Israel, meu povo, nada entende»”.
Depois, passando pela referência a Habacuc 3,2 e Êxodo 25,18-20, faz uma breve reflexão sobre a simbologia dos animais do presépio, lembrando que muito cedo a iconografia cristã concretizou essa presença, para concluir categoricamente: “Nenhuma representação do Presépio prescindirá do boi e do jumento”.
A confusão e a desinformação vendem bem! E apaixonam uma comunicação social medíocre, incapaz de ser agente de formação e estruturante da verdade da informação.
