Conjecturas

Colaboração dos leitores Não sei bem porquê, mas não deveria ser assim!…

Pois não é que tivemos de ser adoptados pelo Próprio Criador, que nos fez radicalmente, e ainda mais, movido pela sua própria vontade!?

O que aconteceu, então, algures e quando, a esta realidade: o Homem?

Depois, porque é que, sendo nós criaturas que sucumbem e se diluem na matéria, à semelhança em todo o reino animal, se desenvolve em nós uma profunda inconformidade com a própria vida, cansados de conhecê-la: um ser que nasce vive e morre. Porém, nasce em nós uma adversidade, nem se sabe bem contra quê, mas, sempre fortemente ligada à ideia ou à lógica de um destino eterno!

Esta contradição de detestarmos a morte e a termos como necessária ante a corrosão e a limitação do espaço, há-de ser, forçosamente, torturante para os “deuses da matéria” e seus colegiais, ávidos de possuir do que vêem e nada retêm de valor absoluto.

A fé existe, entretanto, para nosso sustento, ante a adversidade que nos enleia, carregada de mistérios e de incomodativas contradições.

A fé, libertando-nos a nós próprios, libertando-nos da ciência dos materialistas e mesmo das garras das suas mãos, muitas vezes sujas de sangue de mártires, libertando-nos ainda dos céus diabólicos dos fanáticos religiosos, os quais enganam e matam em nome de Deus, a fé, dizia, é o laço redentor, o único passaporte com visto credível para a Terra Prometida.

De qualquer modo, mesmo investindo com fé por entre os mistérios que submetem profundamente a nossa criatura, vemos que o próprio Deus nos fala à distância, bem fora da normal compreensão de um Ser que só pode ser seu e de mais ninguém, pois que, outro sentido não pode ter um indíviduo que não sabe de onde veio nem para onde vai, um Ser que pensa, um Ser que domina e avança, por vocação, para o desconhecido, um Ser que não encontra concertação na morte da matéria, que se detém-se a fazer perguntas como estas: “Não sei bem porquê, mas não deveria ser assim?…” “Pois não é que tivemos de ser adoptados pelo PRÓPRIO que nos fez, radicalmente, e ainda mais, movido pela sua própria vontade?”

Foste Tu, Senhor que puseste a doçura nas castanhas, a rudeza nos abrolhos, o sal na água do mar, o vulcão destruidor no seio da Terra… Sim, Senhor, foste Tu, o Autor dos contrastes… mas não, decerto, a causa de conflitos sem sentido.

Sem dúvida que não!

Sem dúvida que não!

Entretanto não Te conheço e, apesar de tudo, sinto um grande amor por Ti, no meu coração. Pergunto-me, que valor tenho eu para Ti e, comigo, todos os seres huma-nos que passam por este mundo conturbado cujo caminho é tão desconexo da lógica da nossa correlação entre este mundo e o mundo do futuro onde moras.

Não que não saiba algo de Ti, por Cristo; contudo, sempre espero um certo momento em que Tu, solucionarás, de uma vez por todas, todas as incoerências que agora vão invectivando contra mim. Feliz!? Sim, sem dúvida.

José Morais