Revista Revista Pastoral Catequética
Maio – Agosto de 2011
152 páginas
Os textos deste número da revista “Pastoral Catequética” resultam de dois momentos distintos, o 50.º Encontro Nacional da Catequese, realizado na Guarda, em Abril de 2010, e o Congresso da Equipa Europeia da Catequese. Os conteúdos interessarão não só aos participantes nos encontros e aos catequistas em geral, mas também a todos aqueles que se preocupam com a transmissão da fé. Como diz D. José Policarpo no primeiro texto deste número, “eu nunca fui «catequista», e, no entanto, sou o primeiro catequista da Igreja a que presido como Pastor”.
O grosso da revista é constituído por três artigos de Enzo Biemmi, italiano, irmão da Congregação dos Irmãos da Santa Família e presidente da Equipa Europeia de Catequese. Na Guarda, falando dos desafios da secularização na Europa – nem tudo anda à mesma velocidade – realçou que todos precisam de um estilo de cristianismo que seja “uma proposta de liberdade”, “uma proposta na gratuidade”, um “cristianismo da graça”. No mesmo encontro deixou um recado aos pessimistas da fé e aos que anseiam pela cristandade que já passou, que são geralmente os que têm medo do tempo presente: “Acredito que temos diante de nós uma belíssima época para a fé. Não devemos sentir saudades da sociedade de cristandade. Devemos, sim, deixar os nossos olhos encantarem-se com o reconhecimento da acção de Deus nos homens e mulheres de hoje. Há, à nossa volta, uma floresta de pessoas em busca de Deus. Não se encontra dentro das nossas igrejas. Estão imersos na vida com as suas alegrias e as suas dores. Procuram razões para amar e ter esperança. Estão prontos para acolher o evangelho da graça, da gratuidade, da gratidão. Não é o fim do cristianismo, é apenas o fim da forma sociológica do cristianismo. O cristianismo que o Espírito Santo prepara diante de nós está para além das nossas expectativas mais belas. Aceitamos confiar na acção do Espírito e dar a nossa contribuição para que «o seu reino venha»”.
Arte de narrar
Na segunda parte da revista, nas comunicações do encontro europeu realizado em Cracóvia, Polónia, o tema geral é a dimensão narrativa da catequese. Em resumo, como a catequese cristã consiste em anunciar Jesus Cristo, em relatar como Ele transforma a nossa vida e pode transformar a de quem nos ouve, é essencialmente narração. “Deus pede para ser contado”, escreve-se. E ainda: “A fé cristã não possui apenas uma estrutura narrativa, mas pede também que a comunicação seja narrativa”. Quer isto dizer que a melhor forma da fazer catequese é contar uma história? Sem dúvida – o que é uma óptima notícia, quando com tanta preocupação com powerpoints, facebooks e outros dispositivos quase se esquece que o mais importante é o conteúdo transmitido na narrativa, o “acontecimento”, com a imprescindível presença física. Por isso, o bom catequista deveria ser aquele que domina bem as formas de narração. Há várias, com vários estilos e para várias finalidades, como mostra Monika Scheidler no artigo “A narração biográfica e a narração de orientação tradicional como formas elementares de aprendizagem da catequese”.
De facto as boas histórias bem narradas têm um grande poder, como recorda Timothy Radcliffe (em “Porquê ir à Igreja”, ed. Paulinas, pág. 77) a partir de uma história clássica do judaísmo:
“Um rabi judeu contou esta história a propósito do seu avô, que fora discípulo do famoso rabi Baal Shem Tov. Disse ele: «O meu avô estava paralisado. Uma vez, pediram-lhe para contar uma história acerca do seu mestre e, então, narrou como o venerável Baal Shem Tov costumava saltitar e dançar durante a oração. O meu avô levantou-se, enquanto contava a história, e a narração espicaçou-o tanto que ele teve de saltar e dançar, para mostrar como o mestre fizera. A partir daquele momento ficou curado. Eis como as histórias se deveriam narrar»”. Radcliffe acrescenta que “ele fica curado porque conta a história a outras pessoas”. O catequista sabe que quando faz boa catequese é ele o primeiro catequizado.
J.P.F.
