Caríssim@s crismandos,
O meu nome é Pedro e escrevo esta carta porque faço parte de um grupo de pessoas (Secretariado Diocesano de Animação Missionária / ORBIS – Cooperação e Desenvolvimento) que tem uma grande responsabilidade: GASTAR O VOSSO DINHEIRO.
Passo a explicar:
Há alguns anos, o Bispo de Aveiro, então D. António Marcelino, definiu que o fruto da vossa renúncia, enquanto faziam a vossa caminhada para o sacramento da Confirmação, fosse destinado para pagar despesas e viagem do voluntários da Diocese quando estes partiam para a sua experiência de voluntariado missionário em África e no Brasil.
As coisas foram correndo bem e o número de voluntários foi crescendo e deixou de ser possível que os fundos que generosamente partilhavam pudessem suportar as viagens.
Pensámos então em mudar o esquema das coisas, sempre com o acordo do D. António, primeiro Marcelino e agora Francisco, e definimos que a vossa partilha seria, directa ou indirectamente, para os missionários, para que eles aplicassem onde mais fosse necessário nas Missões e nas pessoas que elas assistem. Esses fundos são levados ano após ano pelos voluntários à boleia, num envelope fechado e bem escondido. Evitamos ao máximo as transferências bancárias internacionais porque elas custam caro e o que temos é para os pobres, não para os bancos.
O dinheiro vai directamente para os missionários quando é dado a fundo perdido (que é como quem diz, porque nestas coisas pensamos que é sempre a fundo ganho!). Muito tem sido levado para suprir as necessidades de fome, de saúde de muitas pessoas, principalmente idosos e crianças que os missionários atendem nos centros de saúde e nas muitas escolas que gerem. Graças a vós, muitas refeições têm sido dadas e muito material escolar tem sido proporcionado!
E vai indirectamente é quando é aplicado. Por exemplo, no ano 2007 comprámos muitos artesanatos para que pudéssemos montar o projecto “Comércio Solidário”. Entregámos na mesma o dinheiro, mas trouxémos produtos dos artesãos, alguns ligados mesmo às Missões, outros de leigos das paróquias a cargo das Missões com quem trabalhamos. Agora o capital angariado com as vendas do artesanato desse projecto serve para comprar lá mais artesanato. E assim os fundos vão-se multiplicando, vamos ajudando a Missão e os próprios artesãos a terem uma vida mais digna e mais próspera pelo que ganham nestas vendas, graças ao fruto do seu trabalho.
Há ainda algumas questões por explicar! Se já não se pagam as viagens, quem as paga?!
Nas experiências de voluntariado missionário breve, são os próprios voluntários.
Assim também sentem mais o valor do que estão a fazer e se por acaso fizerem como alguns (muito poucos) dos crismandos a seguir ao crisma (desaparecem e não ligam mais nada nem aqui, nem na sua paróquia nem na sua vida!) a perda não é tão grande!
Para as Missões de voluntariado mais longo e para jovens temos um outro mecanismo de resposta: a ORBIS é acreditada pela Comissão Europeia para um projecto da mesma que se chama Serviço de Voluntariado Europeu. E elaborando um projecto com tempo, com cuidado e sendo ele aprovado, a UE financia as viagens e outras despesas.
No entanto, para as experiências missionárias breves em que cada voluntário paga a sua viagem e a UE não financia cria-se uma outra questão:
Nem todos têm possibilidades de pagar uma viagem para África, Brasil ou Timor.
Não deve ser por isso que deixa de vir para o voluntariado missionário. Durante a formação, há várias propostas de actividades que os voluntários dinamizam para angariação de fundos que servirão para pagar a viagem de quem não pode pagar por meios próprios e para angariar fundos que reforcem o donativo feito pela Diocese e constituído pelo vosso sacríficio e renúncia e pelo sacrifício e renúncia dos vossos familiares e da vossa paróquia!
Por fim, e depois de vos dar estas contas, resta-me em nome deles, dos tantos Irmãos que têm recebido um bocadinho de vida mais doce por causa de vós… dizer: OBRIGADO.
