Questões Sociais Todos os partidos políticos, desde o 1.º Governo Constitucional, se têm posicionado contra os governos do país; só se têm posicionado a favor aqueles que formam o governo, enquanto ele dura; em contrapartida, nenhum partido possui um programa de governo alternativo, quantificado e com soluções para os grandes problemas nacionais. As diferentes forças sindicais, patronais, mediáticas, e outras, afinam pelo mesmo diapasão, com raras excepções pontuais. No fundo: todas as forças políticas e sociais querem um governo que as satisfaça; e querem que o governo execute integralmente os programas delas próprias, mesmo que elas não saibam, com precisão, o que fariam se fossem governo. Provavelmente, fariam, mais ou menos, aquilo que contestam…
A contestação sistemática anti-governamental, com mais de trinta anos, está convencida que obteve melhorias significativas para o país e que evitou agravamentos mais duros; porém, nada prova que isso tenha resultado, fundamentalmente, da contestação, nem que as melhorias sejam viáveis a longo prazo. Em contrapartida, uma entidade sem rosto – o grande capital transnacional – tem aproveitado, a seu favor, todas as contestações: ele beneficiou de vantagens enormes para se instalar no país; deslocaliza-se, para outras paragens, quando lhe convém; transforma activos produtivos em activos meramente financeiros; joga na especulação, legal ou ilegal; atrai poupanças de portugueses para fora do país; impõe taxas de juros exorbitantes para as nossas dívidas; utiliza a contestação, no país, como pretexto para aumentar suas exigências e proveitos…
Certamente com a melhor das intenções, e contra a própria vontade, a contestação sistemática funciona como aliada eficaz do grande capital transnacional. Parece que, mal por mal, antes quer essa aliança, «contra natura», do que a cooperação com o governo (o actual ou qualquer outro); e preserva toda a sua boa consciência, responsabilizando os governos por serem, eles sim, aliados desse capital.
Em boa verdade, um problema fundamental, e ancestral, do nosso país, como de outros, é a rejeição de toda e qualquer hipótese de governo; tal rejeição traduz-se não só na contestação e achincalhamento dos governos em funções mas também na falta de empenho na elaboração de alternativas globais e consistentes.
