Educar… hoje 1 – Há dias, assisti a uma palestra sobre Educação e Valores, a que o Correio do Vouga deu cobertura no número anterior. Não houve muitas intervenções por parte da assistência, mas percebi nos comentários que ouvi que muito ficara por dizer.
Não é por uma Escola se inscrever na rede pública que, parece-me, se descaracteriza dos valores cristãos. Todas as Escolas têm alunos oriundos de famílias cristãs. Todas têm funcionários (auxiliares da acção educativa, administrativos e professores) oriundos de famílias cristãs. Considerando que educar é uma missão a que se aliam simetricamente direitos e deveres, quer dos pais, primeiros educadores, quer dos funcionários que trabalham na Escola, a perspectiva do educador cristão é a de transmitir valores cristãos, independentemente do espaço em que se insere.
No panorama educacional português, a filosofia de cada Escola está espelhada no seu Projecto Educativo, “(…) o documento que consagra a orientação educativa da Escola, elaborado e aprovado pelos seus órgãos de administração e gestão para um horizonte de três anos, no qual se explicitam os princípios, os valores, as metas e as estratégias segundo os quais a escola se propõe cumprir a sua função educativa.”1 E todas as Escolas, e também as Públicas, têm um PEE.
Actualmente, a Lei permite que os pais matriculem os filhos na Escola da sua preferência (Desp. n.º 373/2002, com as alterações introduzidas pelo Desp. n.º 13765/2004, Diário da República n.º 163 – 13 de Julho de 2004 (2ª Série). Assim, podem – e devem – inteirar-se do PEE, junto do órgão de gestão das Escolas. Aliás, muitos PEE, senão todos, podem ser consultados nas páginas on-line das Escolas. E ver-se-á que os PEE propõem metas em que se sublinham valores humanos, cristãos.
Um pessimista vê um copo meio vazio, enquanto um optimista prefere um copo meio cheio de água. Como qualquer outra pessoa, o cristão vive entre o copo meio cheio e o copo meio vazio. O importante é que não esteja sempre frente a um copo meio vazio. Em todas as Escolas, e em todas as perspectivas sobre a Educação, há quem opte por copos meio vazios, e os que escolhem os meio cheios. Tudo depende da perspectiva de cada um, como diria o Sr. de la Palisse.
2 – A presença de tantos imigrantes que levam avante os seus estudos com sucesso é de elogiar, mas simultaneamente questiona a nossa atitude. Porém, seria preciso que alguém dissesse que os portugueses não são exigentes e que o perfil de professores e de alunos “de cá” não corresponde ao dos “de lá”? Seremos assim tão negligentes? Não haverá histórias de êxito? Isto incomoda. Incomoda sermos apontados como “baldas”; incomoda não divulgarmos o sucesso.
1 in O Regime de Autonomia, Administração e Gestão dos Estabelecimentos Públicos da Educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, bem como dos respectivos agrupamentos. Aprovado pelo Decreto-Lei n.º 115-A/98, de 4 de Maio, alterado pela Lei n.º 24/99, de 22 de Abril. A ideia de um Projecto Educativo para cada escola ficou consagrada no Decreto-lei nº 43/89 de 3 de Fevereiro.
