Costa Nova “vista” por Senos da Fonseca

“Costa-Nova-do-Prado 200 Anos de História e Tradição”, da autoria do ilhavense Senos da Fonseca, é uma obra bibliográfica de relevante importância para a historiografia da Costa Nova e, de um modo mais amplo, do concelho de Ílhavo.

Com a abertura artificial da barra de Aveiro, em Abril de 1808, o cordão dunar que se estendia das proximidades de Ovar até à Praia de Mira foi cortado pelo novo canal da barra, dando origem a uma “nova” costa, em oposição à velha costa (de S. Jacinto) onde operavam as companhas da pesca da xávega. Essa costa “nova”, que está prestes a completar 202 anos de existência, é hoje a praia da Costa Nova do Prado, ainda que esta última parte do topónimo praticamente tenha desaparecido no esquecimento.

Se a abertura da barra ditou o início da Costa Nova, para Senos da Fonseca o aterro da ria, frente à então bela e tradicional esplanada / marginal, que era o centro nevrálgico da estância balnear, nos inícios da década de 1970, ditou o fim temporal do seu livro, porque, com essa obra, “surripiaram a ria, levando-a para longe, escondendo-a do olhar do passante”.

Apesar do autor advertir, logo no início, que este livro não é uma monografia, o certo é que apresenta um vasto conjunto de “factos” históricos e dados etnográficos, sociais, culturais, linguísticos, demográficos e urbanísticos que fazem desta obra um livro imprescindível para qualquer estudo monográfico sobre a Costa Nova. Tudo isso, ilustrado por fotografias antigas que, também elas, são documentos históricos.

O livro começa com a abertura da Barra, os primeiros “colonizadores” desse enorme prado que coloria de verde as dunas: o pessoal das campanhas e a origem do topónimo Costa Nova do Prado.

A pesca da xávega, a chegada dos primeiros banhistas, a integração no concelho de Ílhavo, a construção das primeiras estradas e a carreira da barca para a Mota / “Bruxa” da Gafanha da Encarnação, o surgimento do primitivo aglomerado urbano, a vivência de José Estêvão (e outros ilustres) na Costa Nova, o desenvolvimento urbano e turístico da estância balnear, a construção em madeira (palheiros) e em alvenaria, o salvamento do navio “Desertas”, “histórias” de gente popular, a linguagem popular de outrora são alguns dos temas tratados neste livro. De realçar que as receitas da venda deste livro revertem para o Centro de Acção Social do Concelho de Ílhavo (CASCI).

Cardoso Ferreira