Credo e símbolo dos apóstolos

O leitor pergunta – O que é o Credo? O que é o símbolo dos Apóstolos? 1 – O Credo (creio) é o acto de profissão de fé. Por inerência, entende-se também o que constitui objecto dessa mesma fé. Desde as origens da Igreja, a adesão a Jesus Cristo, o ingresso na Comunidade Cristã, pressupunha acolher e professar determinados conteúdos de fé, que modelariam atitudes e formas de vida coerentes. Aliás, na sequência de hábitos judaicos, pois o Antigo Testamento continha uma profissão de fé narrativa, histórica, reconhecendo a relação estreita e libertadora de Deus com o Povo Hebreu.

2 – Há breves textos de profissão de fé, concisos, no Novo Testamento. Modos iniciais de professar a fé em Jesus Cristo eram, por exemplo: declarar “Jesus é o Senhor!” – 1Cor.12,3; “confessar com a tua boca que Jesus é o Senhor e crer com o teu coração que Deus o ressuscitou dos mortos” – Rm.10,9. Ou a confissão central de que Jesus é, de modo único, “Filho de Deus” – Mt.16,16.

3 – A profissão de fé está ligada à recepção do baptismo. Desde o séc. I, o baptismo de um novo discípulo é uma consagração solene “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” – Mt.28,19. Um século mais tarde, no norte de África, Tertuliano faz-nos saber: quem era apresentado(a) ao baptismo, primeiro renunciava a Satanás, depois fazia a tríplice profissão de fé em Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

4 – Hipólito, cerca de 215, apresenta o relato do baptismo na Igreja de Roma. Antes da imersão, o catecúmeno respondia a três questões: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus, que nasceu por obra do Espírito Santo de Maria virgem, foi crucificado sob Pôncio Pilatos, e morreu e foi sepultado, e ao terceiro dia ressuscitou vivo de entre os mortos, subiu aos céus, está sentado à direita do Paie há-de vir julgar os vivos e os mortos? Crês no Espírito Santo, na santa Igreja, na ressurreição da carne?” – quase textualmente o Símbolo dos Apóstolos.

5 – A profissão de fé das origens tinha, pois, estrutura dialógica: um ministro da Igreja interrogava; o baptizando respondia. O processo catecumenal depressa levou a formas declarativas, como o vetus Romanum. Entregava-se previamente ao catecúmeno, recitando-o (traditio), o conteúdo do símbolo; devia decorá-lo e sobre ele ser catequizado pelo bispo. Antes de ser baptizado, fazia a sua proclamação (redditio) diante da assembleia dos fiéis. Santo Agostinho relata este ritual, em Roma, no ano 355.

(Continua no próximo número)