D. António Francisco dos Santos na Celebração de Cinzas Na Celebração das Cinzas, D. António Francisco propôs cinco passos para chegar à Páscoa: atenção à família, vivência das celebrações; dedicação aos que sofrem; confissão sacramental dos pecados; e um espírito contemplativo que tem como consequência a partilha solidária.
“Creio e proclamo que Jesus se encheu de zelo pela nossa terra e tem compaixão do nosso povo”, afirmou D. António Francisco dos Santos, na Celebração de Cinzas, a que presidiu na Sé de Aveiro. Ao jeito do profeta Joel e do Apóstolo Paulo, o Bispo de Aveiro convidou à conversão, neste “tempo favorável de graça, de misericórdia e reconciliação”. “A nossa conversão não nos deixa no vazio; conduz-nos ao Evangelho”, disse, notando que, na sociedade secularizada em que vivemos, a conversão autêntica só pode ser ao Senhor do Evangelho e não por motivos de “prestígio ou glória” ou “outros interesses que passam”.
D. António Francisco propôs aos cristãos que estavam na Sé e, por eles, a toda a diocese cinco iniciativas pastorais para esta Quaresma:
* “renovada atenção ao espírito de caminhada quaresmal”, com destaque para a pastoral familiar, porque a família é “espaço de conversão”, oferece “disponibilidade para acreditar no evangelho”;
* acolhimento do Evangelho com “festa, esperança e partilha solidária”, nas celebrações litúrgicas até à Vigília Pascal;
* dedicação aos doentes, idosos, pobres e todos os que sofrem, como sinal da misericórdia de Deus, pois “no nosso coração [deve estar] o palpitar terno de Deus por amor dos que mais sofrem”;
* “procura do sacramento da reconciliação; procura da graça e santidade que o sacramento oferece”. “Pedi aos nossos padres [que se dedicassem a este sacramento] e eu próprio dedicarei tempo à reconciliação”, disse o Bispo de Aveiro;
* renovado espírito contemplativo, na linha da mensagem de Bento XVI para esta Quaresma, que tem como título “Hão-de olhar para aquele que trespassaram” (Jo 19,37). D. António exortou aos tempos de silêncio e de oração, de “escuta de Deus”, e afirmou que “o amor contemplativo é fonte de caridade”. Nesse sentido, convidou à partilha “do que é supérfluo”, mas “até do que faz falta”, através do contributo penitencial.
Este ano, parte da renúncia quaresmal dos cristãos de Aveiro terá como destino o Lar do Divino Salvador, em Ílhavo, que acolhe grávidas e mães em dificuldade, para que “olhem o horizonte da vida com serenidade e esperança”. A outra parte destina-se à “jovem diocese de Bissau”, na Guiné, para que construa um centro de catequese. “Evangelizar em Aveiro é também evangelizar na vanguarda da conversão dos que nunca ouviram falar de Jesus Cristo”, justificou D. António Francisco.
J.P.F.
Rasgai os vosso corações e não as vossas vestes, convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus, porque ELE é CLEMENTE e compassivo, pacinete e RICO EM MISERICÓRDIA. Joel 32,13
Rasgar as vestes era sinal de luto (2 Sm 3,31), de grande tristeza por ocasião de uma desgraça (Jb 1,20; 2,12) ou de indignada ira por causa de uma ameaça ou blasfémia (Jr 36,24; Mt 26,65; Act 22,23). Os israelitas rasgavam o vestido de cima (Gn 37,34) ou o manto (Jb 1,20) e, por vezes, a túnica (2 Sm 15,32).
Como gesto exterior que é, comporta o perigo de não corresponder à disposição interior. Daí que o profeta Joel (séc. IV a. C.), à semelhança de outros que afirmavam que Deus prefere a misericórdia aos sacrifícios, sugira antes que se rasgue o coração. Algo bem mais difícil, afinal.
