Com o lema “Não temais, sou o Anjo de Paz”, milhares de meninos e meninas celebraram no 10 de Junho, no Santuário de Fátima, o 90.º aniversário das aparições do Anjo, ocorridas durante o ano de 1916.
O lema que congregou o numeroso grupo de crianças – cerca de trinta mil –, oriundo de todas as dioceses do país, incluindo dos arquipélagos da Madeira e dos Açores, foi “Não temais, sou o Anjo da Paz”, expressão usada pelo Anjo na primeira aparição aos Três Pastorinhos de Fátima.
No total, participaram na Eucaristia principal da Peregrinação mais de cem mil peregrinos.
Nas celebrações da manhã – Eucaristia, antecedida da oração do Rosário –, as crianças foram convidadas a reflectir sobre a realidade dos Anjos, mensageiros e protectores de cada pessoa e de cada nação.
Durante a homilia, o presidente da celebração, D. Serafim Ferreira e Silva, pediu às crianças que tivessem “coragem para tornar o mundo melhor”, “fraternal e mais justo”, e recordou as palavras do Anjo de Portugal nas aparições aos Pastorinhos de Fátima.
No momento da Oração dos Fiéis, as crianças relembraram os medos mais comuns que têm e as situações infelizes que muitos vivem: o medo do escuro e do desconhecido, da guerra e do ódio, e de todas as agressões, violências e abandonos.
Também pela voz de crianças, foram nesse momento pedidos a Deus “a defesa das vítimas”, “o envio do Anjo da Paz para que a vida das crianças decorra na tranquilidade” e para que todas (as crianças) possam “sentir o amor e o conforto que precisam”.
Enquanto estes pedidos eram feitos, nos braços e no corpo de uma grande cruz, colocada em frente do Altar, apareciam as palavras “Luz”, “Vida”, “Amor” e “Perdão”.
Um momento sempre aguardado com expectativa nesta peregrinação, marcada pela simplicidade e pela alegria transmitida pelos pequenos peregrinos, é o chamado “momento da surpresa”.
“O Anjo de Fátima”
Este ano, a surpresa foi a oferta do livro “O Anjo de Fátima”, uma edição de 30.000 exemplares, que publica as mensagens da Comissão de organização da Peregrinação e do Reitor do Santuário, e inclui parte das “Memórias da Irmã Lúcia”, onde é feito o relato das aparições do Anjo. A publicação encerra com o poema inédito “As três aparições do Anjo”, da autoria de Rosa Lobato Faria.
“O Anjo de Fátima” só foi possível devido à colaboração das próprias crianças, uma vez que é o resultado do concurso nacional lançado pelo Santuário a todas as escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico de Portugal. Concorreram 1.937 trabalhos de 56 escolas. Trinta desses trabalhos ilustram esta publicação oferecida às crianças.
A capa da publicação é da autoria da Joana Barros Silva, uma menina que frequenta o 2.º ano do Centro de Educação e Reabilitação de Crianças e Jovens Inadaptadas, de Fafe.
“Os trabalhos aqui reproduzidos reflectem, por um lado, o conhecimento da história das Aparições, e por outro, a criatividade e originalidade com que as meninas e os meninos, no esplendor da sua infância souberam reinventar/interpretar este fenómeno sobrenatural”, refere a mensagem da Comissão organizadora.
A alegria e a espontaneidade trazidas pelas crianças transformam o Santuário por ocasião desta Peregrinação Nacional. Até o sempre marcante momento da Procissão do Adeus a Nossa Senhora, com o retorno da Imagem de Nossa Senhora à Capelinha das Aparições, com os lenços brancos a acenar no ar, foi hoje colorido e diferente, uma vez que, ao invés de usarem lenços, as crianças acenaram com os seus chapéus e bonés coloridos.
Santuário de Fátima/CV
