Criemprego

Questões Sociais

Desemprego (4) Já foi aqui abordado o tema «criação de emprego» e, certamente, voltará a sê-lo no futuro. Ao utilizar-se a palavra «criemprego», afirma-se que existe uma relação muito estreita entre o emprego e a respectiva criação. Pode criar emprego quem cria ou desenvolve a sua empresa; mas também o cria o trabalhador por conta de outrem, que nela trabalha, na medida em que assume as suas responsabilidades, valoriza o seu posto de trabalho, faz sugestões para a respectiva melhoria e participa na vida da empresa cooperando no seu desenvolvimento (cf. a Encíclica de João Paulo II, «Laborem Exercens», nº. 15). Quem procura emprego também contribui para o processo global da respetiva criação, através da disponibilização de suas capacidades bem como da pressão que vai fazendo no sentido favorável à criação. Também os jovens estudantes podem tomar parte neste processo global, não vinculando a ele o seu projecto educativo mas tendo em conta a ligação ao mundo laboral. E bom seria que as pessoas mais idosas, reformadas ou não, se mantivessem ligadas ao mesmo objetivo, através do seu trabalho, das suas sugestões e do apoio prestado às gerações mais novas. A criação de emprego envolve, assim, toda a sociedade, com todas as suas empresas, instituições e cidadãos.

Normalmente entende-se – e bem – que a criação de emprego requer a existência de apoios vários, tais como os respeitantes a: formação, gestão, financiamento, ideias de negócio, escoamento de produções… Mas não podemos iludir-nos com a expetativa de que venha a existir um quadro de apoios completo e perfeito. Pelo contrário, recomenda-se que as populações e instituições locais se organizem com vista a três objetivos fundamentais: primeiro, facilitar o acesso aos apoios existentes; segundo, contribuir para que eles sejam criados, ou criá-los mesmo por sua iniciativa sem recear a respetiva imperfeição; e, terceiro, respeitar e promover a luta pela subsistência – pessoal, familiar e coletiva. Aqui aplica-se o velho princípio de começar pela ação possível, sem prejuízo de tender para a mais perfeita. Nesta ação, algumas instituições sociais desempenham um papel fundamental; destaco, no âmbito da Igreja, a Cáritas e a Sociedade de S. Vicente de Paulo.